Justiça condena seis pessoas por plano de ataque a bomba ligado ao PCC
Investigação revela tentativa de ações violentas em nível nacional a partir de presídio federal
Seis acusados de planejar ataques a bomba e ações violentas contra o sistema prisional e centros financeiros foram condenados na Justiça Federal de Porto Velho; entre eles estão duas lideranças do PCC.
Na terça-feira (1º), a Justiça Federal de Porto Velho, em Rondônia, condenou seis pessoas suspeitas de um plano criminoso envolvendo atentados a bomba e ações violentas, com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o juiz Reginaldo Achre Siqueira, responsável pelo caso, os envolvidos tinham plena consciência da gravidade e da potencialidade de lesões decorrentes de seus planos, que buscavam provocar repercussões amplas e impacto na ordem pública. Entre os condenados estão duas lideranças históricas da facção: Abel Pacheco de Andrade, conhecido como Vida Loka, e Roberto Soriano, o Tiriça. Ainda segundo a decisão, eles fazem parte da última linha de comando do PCC, cujo líder máximo é Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. A sentença, publicada nesta quarta (2), tem 214 páginas e detalha como os envolvidos planejavam uma série de ações que poderiam afetar desde o sistema penitenciário até o setor financeiro do país.
A investigação, que teve início em 2018, revelou um modo de operação cuidadosamente planejado. Segundo fontes do Ministério Público Federal (MPF), agentes penitenciários interceptaram bilhetes dentro do presídio de segurança máxima em Porto Velho, onde se coordenaram duas frentes de atuação criminosa. A principal delas apontava para um ataque ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em Brasília, com o envio de um carro carregado com 50 quilos de explosivos C4. Os recados apreendidos indicam que, caso as medidas de segurança da penitenciária, como a suspensão de visitas íntimas, não fossem revistas, os criminosos planejavam detonar os veículos perto de centros financeiros nas cinco maiores capitais do país. Dentro de um envelope que deveria estar no veículo explosivo, haveria uma lista de dez exigências, incluindo o retorno de visitas íntimas e a melhoria das condições de isolamento dos presos, que deveriam ser atendidas em até 30 dias; se não, os ataques seriam efetivados.
Além do ataque aos bancos, a segunda frente do plano previa ações contra agentes penitenciários federais, incluindo atentados contra suas vidas na penitenciária de Porto Velho. De acordo com o MPF, o objetivo era sequestrar e torturar esses profissionais, culminando em suas mortes, além de utilizá-los como moeda de troca para a liberação de presos importantes. Ainda conforme a denúncia, os réus tentaram atribuir esses ataques a uma facção rival, preferencialmente o Comando Vermelho, visando confundir as autoridades e desviar o foco da atuação do PCC.
Defesas dos condenados afirmaram que irão recorrer das sentenças, que ainda aguardam o trânsito em julgado. Ainda não há confirmação oficial de que esses ataques tenham ocorrido ou estejam em andamento, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O que se sabe é que, segundo o MPF, o planejamento foi descoberto graças às interceptações e investigações detalhadas, e que os detalhes do esquema revelam a extensão da capacidade de planejamento de organizações criminosas ligadas ao PCC, com potencial de risco para segurança pública e para a integridade de agentes penitenciários e instituições financeiras.
O que sabemos?
- Investigação começou em 2018 após interceptação de bilhetes no presídio de Porto Velho.
- Seis pessoas foram condenadas, incluindo duas lideranças do PCC, Vida Loka e Tiriça.
- Plano envolvia ataques com bombas em centros financeiros e ao Departamento Penitenciário Nacional.
- Agressões também incluíam atentados contra servidores penitenciários com objetivo de tortura e homicídio.
- Segundo a sentença, os envolvidos tinham plena consciência da violência projetada e do potencial de lesões.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




