Jovens portugueses protestam em Lisboa contra crise da moradia e enfrentam repressão policial
Manifestantes foram dispersados na praça Rossio, em Lisboa, após ocupação com tendas e reivindicações por melhores condições de aluguel
Durante a madrugada desta terça-feira, jovens acampados na praça Rossio, em Lisboa, foram dispersados pela polícia, que apreendeu tendas e prendeu 55 pessoas em uma manifestação contra a crise habitacional. A ação gerou acusações de violência por parte dos ativistas.
Na madrugada desta terça-feira, por volta das 6h, a polícia portuguesa dispersou um grupo de jovens que protestava na praça Dom Pedro IV, conhecida como Rossio, em Lisboa. Segundo a Polícia de Segurança Pública de Portugal, foram apreendidas 228 tendas e 55 pessoas foram detidas por prática de ilícitos criminais, incluindo desobediência. A operação ocorreu após uma ocupação que ficou conhecida como "acampada", na qual os jovens se reuniram ao redor da estátua de Dom Pedro IV, o monarca símbolo da independência brasileira conhecido em Portugal pelo nome de Dom Pedro I.
O principal slogan dos manifestantes era “Na rua nos querem, na rua nos verão”, refletindo a luta por melhores condições de moradia e acesso ao aluguel de imóveis. Segundo fontes, os jovens da geração Z – aqueles nascidos entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2010 – têm enfrentado dificuldades para sair da casa dos pais devido aos altos custos imobiliários, uma realidade que se repete em vários países europeus. Após a dispersão, ativistas acusaram a polícia de usar violência e de apreender pertences pessoais, além de relatarem que dois jovens ficaram feridos com ferimentos leves.
Ao tentarem manter a manifestação, os jovens reunidos em volta das barracas passaram a entoar a canção "Grândola, Vila Morena", símbolo da Revolução dos Cravos, que em 1974 pôs fim à ditadura salazarista em Portugal. A escolha da música reforça o clima de resistência e esperança dos manifestantes, já que o Rossio é tradicionalmente palco das celebrações nacionais nesta data. Ainda na manhã de terça-feira, a polícia declarou que as detenções ocorreram por desobediência, e que o uso da força foi limitado ao mínimo necessário, cessando assim que as condições que motivaram a intervenção foram atendidas.
Os 55 jovens liberados na mesma tarde foram convocados a comparecer em tribunal na quarta-feira. Ainda na noite de ontem, parte dos manifestantes voltou ao Rossio para protestar, sem decisão definitiva se realizarão uma nova "acampada" ou permanecerão em vigília. A ação portuguesa ganhou atenção internacional e acabou servindo de inspiração para manifestações semelhantes em outros países europeus, como França e Espanha. As reivindicações dos portugueses concentram-se na revogação da Lei do Arrendamento, aprovada provisoriamente pela Assembleia da República, que aumenta as possibilidades de despejo e facilitaria a abertura de mercado imobiliário, alinhando-se às ações do governo de Luís Montenegro, que aposta no aumento da construção civil para ampliar o número de imóveis acessíveis, o que, na visão dos jovens, perpetua a crise habitacional.
O que sabemos?
- Polícia dispersou jovens na praça Rossio em Lisboa durante manifestação.
- Foram apreendidas 228 tendas e 55 pessoas foram presas por desobediência.
- Manifestantes reivindicam melhores condições de moradia e acesso ao aluguel.
- O ato ocorreu na madrugada de terça-feira; jovens acusam polícia de violência.
- Na tarde do mesmo dia, liberaram os detidos, que devem comparecer ao tribunal.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





