Investigações ligam movimentações financeiras a organização criminosa com conexões ao PCC
Empresa ligada a delator recebeu mais de R$ 166 mil de fintech suspeita de elos com crime organizado
Empresa de delator recebeu R$ 166,5 mil de fintech usada por empresários suspeitos de relação com o PCC, aponta Ministério Público de São Paulo. Investigações indicam que o dinheiro teria ligação com esquema envolvendo setor de combustíveis e organizações criminosas.
Segundo informações do Ministério Público de São Paulo, uma empresa de tecnologia financeira, a EntrePay, vinculada a um empresário que fez acordo de delação premiada, recebeu R$ 166,5 mil de uma fintech chamada Ceopag. Essa fintech, segundo o MP, foi utilizada na movimentação financeira de empresas lideradas por indivíduos suspeitos de manter fortes ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do Brasil.
A investigação revela que Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, são apontados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como líderes dessa organização criminosa no setor de combustíveis, que inclui usinas, transportadoras e postos de combustíveis. Ainda conforme o MP, a movimentação financeira atípica envolvendo a EntrePay foi identificada em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontando para possíveis tentativas de lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
Durante a apuração, ainda não confirmada oficialmente, o empresário com acordo de delação afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para criar fundos com dinheiro vivo destinado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que também está no centro de investigações de crimes financeiros. Os documentos do Gaeco, no entanto, não ligam diretamente essa quantia ao pagamento de R$ 166,5 mil à EntrePay, nem indicam que Freixo, o delator, tenha mantido contato direto com Mohamad ou Beto Louco.
De acordo com fonte do MP, a Ceopag foi contratada por empresas associadas à organização criminosa para substituir parcialmente outra instituição de pagamento, a BK Instituição de Pagamento, no processamento de salários de funcionários de usinas do Grupo Itajobi, controlado por Mohamad e Beto. A BK é investigada por supostamente ter funcionado como um banco paralelo, facilitando operações financeiras de empresas e pessoas suspeitas de integrar o esquema criminoso. A investigação também apontou que as operações da Ceopag continuaram mesmo após o encerramento do relacionamento comercial com algumas dessas empresas, sendo substituída por outras instituições do mesmo grupo empresarial, como a America Payment, que teria contratos assinados logo após a saída da Ceopag.
Além das empresas de combustíveis, o grupo investigado mantém controle sobre diversas distribuidoras, usinas, transportadoras e postos de combustíveis, usando empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento para movimentar recursos de forma a esconder os verdadeiros beneficiários e dificultar a fiscalização. Ainda não há confirmação oficial sobre uma ligação direta entre esses pagamentos e os atos criminosos, mas a investigação aponta que a estrutura financeira do grupo permaneceu ativa mesmo depois de ações iniciais do MP e do Gaeco.
O que sabemos?
- Empresa de delator recebeu R$ 166,5 mil de fintech suspeita de elos com crime organizado.
- Fintech Ceopag foi usada na movimentação de empresas lideradas por suspeitos ligados ao PCC.
- Empresários Mohamad Hussein Mourad (Primo) e Roberto Beto Louco são apontados como líderes do esquema.
- Investigações indicam uso de empresas de fachada e instituições de pagamento para movimentar recursos ilegais.
Fontes
- G1 imprensa



