Policial

Política e corrupção: investigação revela articulações de ex-secretário de Bauru na fraude da concessão do lixo

Em apuração ?

Operação policial aponta esquema que envolvia pagamento de R$ 750 mil e possível influência política na licitação de resíduos sólidos

Ex-secretário de Bauru sendo conduzido durante operação policial
Imagem: G1

Segundo o Ministério Público de São Paulo, Renato Purini, ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita, teria atuado como figura central em uma organização criminosa que tentava fraudar a concessão do serviço de lixo na cidade, estimada em R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 anos.

Neste sexta-feira, foi deflagrada uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que resultou na prisão preventiva de Renato Purini, ex-secretário de Governo de Bauru, e marido da atual prefeita da cidade. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Purini é apontado como a "figura política" que, junto a um grupo infiltrado na administração pública, atuava para facilitar uma fraude na concessão de prestação de serviços de resíduos sólidos na cidade, cujo valor estimado alcança R$ 5,2 bilhões ao longo de três décadas.

De acordo com as investigações, mensagens interceptadas indicam que Purini teria recebido pagamentos da empresa Estre Ambiental, uma das principais concorrentes na licitação, através de um advogado intermediário. Os repasses conhecidos incluem uma transferência de R$ 750 mil, além de uma cobrança adicional de R$ 90 mil, supostamente feitos por meio de um acordo disfarçado com honorários advocatícios. Segundo a fonte do MP-SP, esses valores eram enviados ao advogado Marcos Libanore Caldeira, sob a justificativa de pagamento por serviços jurídicos, mas na prática destinavam-se ao ex-secretário.

As mensagens interceptadas, ainda segundo o MP, revelam que Purini teria articulado apoio político na Câmara Municipal para aprovar o projeto da concessão. Em uma conversa de 2025, ele enviou o contato do advogado a uma secretária municipal, Cilene Chabuh Bordezan, reclamando que ninguém teria procurado o acusado para tratar do pagamento. Cilene, por sua vez, encaminhou a mensagem ao CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, que se identificou como amigo do marido da prefeita e marcou encontro com o advogado. A investigação aponta que a nota fiscal de R$ 750 mil emitida pela Estre foi um indício de pagamento recorrente destinado a Purini, além de indicar uma relação constante de cobrança por parte do ex-secretário.

Segundo fontes do MP, as conversas também mostram que Cilene e Purini usavam expressões relacionadas a honorários advocatícios para disfarçar a origem dos recursos, embora, na prática, os valores alcancem diretamente o ex-secretário, que teria sido remunerado por seu apoio na votação do projeto de concessão do lixo. Ainda não há confirmação oficial se outras figuras públicas ou setores da administração também estariam envolvidos, e o clube não se pronunciou até o momento sobre as ações ou motivação da prisão. A operação continua investigando se há mais envolvidos ou elementos que reforcem a suspeita de fraude na licitação, cujo processo é considerado estratégico e de alto valor para a cidade de Bauru.

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O que sabemos?

  • Ex-secretário de Bauru preso por suspeita de atuar como figura política na fraude da concessão do lixo.
  • Pagamento de R$ 750 mil e cobrança adicional de R$ 90 mil feitos ao ex-secretário supostamente por meio de advogado.
  • Investigações indicam influência política na votação do projeto na Câmara Municipal.
  • Pagamento e influência envolvem a empresa Estre Ambiental, uma das concorrentes na licitação.
  • O esquema estaria ligado à tentativa de fraudar uma concessão cujo valor estimado é de R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 anos.

Fontes

  • G1 imprensa
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