Operações de investigação revelam esquema de fraudes envolvendo advogados e aposentados no interior de São Paulo
Polícia realiza buscas e bloqueia R$ 6,1 milhões em bens em ações que prejudicaram idosos na região
Investigações apontam que advogados utilizaram estratégias fraudulentas para obter vantagem financeira de aposentados e idosos em processos contra bancos, envolvendo vendas de direitos de ações por valores baixos e uso de procurações genéricas.
Na manhã desta terça-feira, as operações Libelo e Garatéia, realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades do interior paulista, incluindo Altinópolis, Ribeirão Preto e Franca. Segundo informações obtidas pelo portal G1, a ação resultou no bloqueio de até R$ 6,1 milhões em bens de advogados suspeitos de envolvimento em um esquema de fraudes que prejudicava principalmente idosos e aposentados.
Segundo a fonte, o esquema consistia basicamente na formação de ações judiciais contra bancos, muitas vezes em massa, utilizando listas de aposentados e procurações genéricas. Esses processos eram frequentemente entrados por advogados ligados ao grupo, que, após a condenação do banco, sacavam o dinheiro obtido na Justiça e, posteriormente, vendiam o direito ao recebimento para empresas de terceiros — uma prática considerada fraudulenta. Em alguns casos, os próprios aposentados vendiam seus direitos por valores bastante abaixo do que poderiam receber, muitas vezes em dinheiro vivo, durante atendimentos realizados na empresa Desenrola, que funcionava na cidade de Altinópolis e era vinculada ao pai do advogado investigado.
Segundo a investigação, o advogado Guilherme Gentil foi preso em flagrante após jogar equipamentos eletrônicos pela janela do apartamento ao perceber a chegada da polícia. Ainda de acordo com o Gaeco, Guilherme operava na região e seu pai era proprietário da empresa responsável por atender os clientes, além de adquirir os direitos de ações contra bancos por valores baixos. A prática levantou suspeitas por parte da Justiça, especialmente pela quantidade de processos ligados ao nome de Guilherme na cidade de Altinópolis — mais de 2 mil processos, muitos deles envolvendo idosos que alegaram não saber ao certo quanto dinheiro havia sido liberado ou que tinham vendido seus direitos sem compreensão plena da transação.
Policiais também apuraram que, após a fiscalização ficar mais rigorosa, os investigados passaram a utilizar procurações com firma reconhecida, entregues com atraso, além de transferir operações para uma outra empresa chamada Finalize, de Campo Grande (MS). De acordo com uma funcionária ouvida na investigação, os pagamentos costumavam ser feitos quase sempre em dinheiro vivo, em um esquema que, segundo a denúncia, buscava escapar do controle judicial e dificultar a fiscalização.
Apesar do andamento das investigações, o clube não se pronunciou oficialmente sobre o caso, e a defesa de Guilherme Gentil alegou que ele não cometeu fraudes, afirmando que seus atos seriam legais. Ainda assim, o Ministério Público informou que analisará todo o material apreendido para decidir sobre possíveis denúncias. O grupo de advogados suspeito tem enfrentado uma crescente atenção por parte das autoridades devido ao impacto milionário — contas investigadas receberam, até o momento, soma de R$ 10,9 milhões — envolvendo idosos e uma possível tentativa de desvio de dinheiro na justiça, prática que vem sendo avaliada como uma fraude de grande escala.
O que sabemos?
- Operações Libelo e Garatéia cumpriram mandados de busca em três cidades do interior de São Paulo.
- Foram bloqueados R$ 6,1 milhões em bens de advogados suspeitos.
- Advogados usavam idosos e aposentados para movimentar processos contra bancos.
- Clientes vendiam direitos de ações por valores baixos em empresas ligadas ao grupo.
- Guilherme Gentil foi preso em flagrante após jogar equipamentos eletrônicos pela janela durante buscas.
Fontes
- G1 imprensa





