Investigações revelam contrato de silêncio e supostos desvios no Juventus
Polícia apura esquema milionário e detalhes de negociações ilegais envolvendo o clube da Mooca
A Polícia Civil de São Paulo avança nas investigações sobre possíveis irregularidades financeiras no Juventus, incluindo contratos sigilosos e uma denúncia por desvios de recursos que envolve dirigentes do clube. Ainda não há confirmação oficial de todos os fatos.
A Polícia Civil de São Paulo intensificou as investigações sobre um possível esquema de desvio de dinheiro no Juventus, clube tradicional do bairro da Mooca, que recentemente retornou à elite do futebol paulista. Segundo fontes da investigação, novos depoimentos e documentação foram obtidos, com o foco principal em rastrear o fluxo financeiro envolvendo a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube.
Um dos elementos revelados é a existência de um "contrato de silêncio" assinado em 24 de junho por Carlos Eduardo Gomes Pedroso, presidente do Conselho do Juventus, e o advogado Guilherme Rodrigues, que fez denúncia de irregularidades na gestão do clube. Segundo informações obtidas pela polícia, neste documento, ambos os envolvidos concordaram que não tinham conhecimento de condutas ilícitas ou antiéticas praticadas por eles e se comprometeram a não fazer comentários ou denúncias, sob pena de pagar multa de R$ 100 mil. Além disso, também neste dia, Guilherme enviou uma retratação escrita a Carlos Eduardo, na qual voltou atrás de alegações feitas anteriormente ao Conselho Deliberativo, alegando que suas declarações tinham sido feitas em "forte abalo emocional" após sua suspensão do quadro de sócios e o término de um relacionamento com Luma Zaffarani, advogada do clube. Essa retratação, porém, ainda não foi oficialmente confirmada pelo clube ou pelo advogado, que afirmou ao site que os documentos não foram redigidos por ele, mas apresentados prontos para assinatura.
O caso ganhou maior complexidade com a denúncia de Guilherme Rodrigues, que afirma que participou de negociações para desviar recursos do Juventus até março deste ano, envolvendo valores milionários pagos a honorários advocatícios. Segundo ele, esses recursos teriam sido repartidos entre Luma Zaffarani, Carlos Eduardo e o então presidente do clube, Tadeu Deradeli. A denúncia também aponta que alguns desses pagamentos podem ter ligação com contratos de locação e exploração de espaços na sede do clube, como uma escola e um salão nobre, fechados por longos períodos para terceiros. Especificamente, a escola Maple Bear alugou parte da sede social por 20 anos, assim como uma empresa chamada Makerismo adquiriu o direito de explorar um espaço no clube por igual período, embora esses acordos ainda não tenham sido oficialmente confirmados apenas por fontes do próprio site.
Enquanto as investigações continuam, o clube ainda não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias ou sobre os detalhes das negociações e contratos encontrados. Tadeu Deradeli, atual presidente do clube, afirmou à reportagem que se manifestaria por meio de assessoria de imprensa — até o momento, nenhuma declaração foi recebida. As autoridades ainda buscam esclarecer o envolvimento de todos os atores no esquema, além de verificar se há ilegalidades nas transações financeiras reveladas, que, segundo fontes, podem movimentar valores expressivos. Ainda não há uma linha definitiva de investigação, mas o caso promete evoluir e detalhar uma trama que, se confirmada, poderá ter peso significativo na história recente do clube da Mooca.
O que sabemos?
- A polícia investiga esquema de desvios de dinheiro no Juventus.
- Um contrato de silêncio foi assinado por dirigentes, prometendo sigilo sobre possíveis irregularidades.
- Denúncias indicam que valores milionários foram desviados por meio de pagamentos ilegais a advogados.
- Compra ou locação de espaços no clube, como escola e salão nobre, estão sendo investigadas.
- Guilherme Rodrigues foi um dos que fizeram denúncias e apresentou documentos de supostas transações ilícitas.
Fontes
- ge fonte especializada




