Investigação aponta que colisão de carro após aniversário de jovem em Itaúna pode ter sido feminicídio
Polícia suspeita de ação proposital por parte do namorado da vítima, com relação de agressões anterior ao acidente
Júlia Isadora morreu após uma batida que, segundo a polícia, foi causada intencionalmente pelo namorado, Gustavo Henrique, na madrugada de 9 de maio, logo após uma comemoração de aniversário.
A tragédia que abalou Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, começou logo após uma celebração de aniversário na noite de 8 de maio, quando Júlia Isadora Moreira de Lima, de 23 anos, saiu com seu namorado Gustavo Henrique Rosa Pereira, de 21 anos. Segundo a Polícia Civil, a batida que levou à morte de Júlia aconteceu na madrugada do dia seguinte e tem sido investigada como feminicídio, uma forma de homicídio motivada por questões de gênero e, muitas vezes, associada a comportamentos de violência doméstica.
De acordo com a polícia, Gustavo estaria sob efeito de álcool no momento do acidente e, de forma ainda não oficialmente confirmada, teria jogado seu carro contra uma carreta estacionada, de propósito. Ainda segundo as investigações, Gustavo deixou o local após a colisão sem realizar o teste do bafômetro, e Júlia, que estava no banco do passageiro, foi socorrida por populares e levada ao Hospital Manoel Gonçalves. Apesar dos esforços médicos, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu dias depois. A polícia revela que, desde o início das apurações, suspeitava-se que o acidente pudesse não ter sido um mero incidente de trânsito.
A irmã de Júlia, Jéssica Moreira, afirmou que a família acompanhou de perto o inquérito policial e que, há cerca de um mês, já tinha a concepção de que as circunstâncias apontavam para uma ação deliberada. Ela destaca que Gustavo não esclareceu de forma convincente como a colisão havia ocorrido e que saiu do local sem fazer o teste obrigatório, comportamento que levantou suspeitas na família. Ainda segundo Jéssica, o relacionamento do casal era marcado por frequentes brigas, ciúmes excessivos e comportamentos possessivos, fatores que a família acredita terem contribuído para o desfecho trágico.
Segundo fontes da Polícia Civil, Gustavo foi indiciado por feminicídio no início de setembro, e, na mesma época, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia contra ele à Justiça. Como a investigação evoluiu de uma hipótese de acidente para um possível crime, o suspeito foi preso na terça-feira, 15 de maio, para garantir a continuidade das apurações. A família de Júlia, ainda visivelmente abalada, espera que a justiça seja feita, reforçando que embora o caso tenha começado como uma ocorrência de trânsito, as evidências apontam para uma ação intencional.
Júlia morava com sua mãe em Itaúna e trabalhava como freelancer, atuando como recepcionista e vendedora em lojas, mas, para sua irmã, ela era muito mais que isso. Jéssica relembra a relação afetiva e cuidadosa da irmã com a família, principalmente com a mãe, para quem Júlia dizia que cuidaria dela quando envelhecesse. A jovem era conhecida na cidade por sua personalidade doce, atenciosa e sempre pronta a ajudar, deixando uma lacuna difícil de preencher após sua perda, que Jéssica descreve como “perder uma parte da minha história”. Ainda não há confirmação oficial sobre os detalhes finais do caso, e a polícia continua apurando as circunstâncias do acidente e possíveis motivações por trás da ação de Gustavo.
O que sabemos?
- A batida ocorreu na madrugada de 9 de maio, logo após uma comemoração de aniversário.
- Gustavo Henrique foi indiciado por feminicídio.
- A suspeita é de que Gustavo provocou a colisão de propósito.
- A polícia acredita que o relacionamento tinha histórico de agressões, ciúmes e comportamento possessivo.
- Júlia faleceu dias após o acidente, no Hospital Manoel Gonçalves.
Fontes
- G1 imprensa





