Investidores perdem milhões após plataforma suspender operações, polícia investiga suspeita de pirâmide
Casos de prejuízo milionário e uma possível fraude financeira no Rio Grande do Sul estão sob investigação policial
Clientes relatam perdas de até R$ 50 milhões após o fim das atividades de uma plataforma de investimentos. Polícia Civil do RS investiga suspeitas de pirâmide financeira envolvendo a empresa Capittal X, que não tinha autorização do Banco Central.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul está investigando a empresa Capittal X sob suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira, após relatos de clientes que perderam bilhões de reais com a suspensão das operações da plataforma de investimentos. Segundo informações obtidas por esta reportagem, ao todo, 34 vítimas já foram identificadas, e as perdas financeiras podem chegar a R$ 50 milhões, apesar da estimativa inicial de prejuízo de cerca de R$ 5 milhões.
A crise começou no final de 2025, quando a plataforma deixou de estar acessível, deixando clientes sem acesso aos valores que haviam investido. Ainda não há confirmação oficial, mas relatos indicam que os investidores acompanhavam pelo celular a evolução dos seus investimentos e afirmavam conseguir realizar retiradas até antes do fim do funcionamento da plataforma. Após essa data, os investidores passaram a não conseguir mais acessar os recursos aplicados, causando grande preocupação entre aposentados, empresários e servidores públicos que, ao longo de anos, acumularam suas economias na plataforma.
Segundo a delegada Milena Simioli, responsável pela Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor, a empresa não possuía autorização do Banco Central para atuar como instituição financeira, o que reforça as suspeitas de ilegalidade. Atualmente, a investigação busca apurar crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e possíveis atos contra o sistema financeiro nacional. A delegada afirmou que há indícios de que o esquema pode ter funcionado como uma pirâmide, em que os recursos de novos investidores eram utilizados para remunerar os que já estavam na plataforma.
Ela também explicou que a Polícia Civil está tentando esclarecer se existia intenção deliberada de enganar os clientes para obter vantagem financeira, considerando o relato das vítimas e a documentação apreendida até o momento. “Nós estamos verificando, com base nos elementos que as próprias vítimas trouxeram, se de fato a empresa tinha o dolo de prejudicar essas pessoas para conseguir vantagem econômica”, afirmou Simioli. A defesa da Capittal X afirmou que a empresa atuava regularmente desde 2019, que os contratos informavam sobre possíveis prejuízos financeiros e que as propostas de recomposição das perdas foram apresentadas aos clientes. A empresa também se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, embora ainda não tenha confirmação oficial sobre sua legalidade ou sobre a origem dos prejuízos sofridos pelos clientes.
Algumas vítimas relataram perdas consideráveis, incluindo aposentados que investiram recursos acumulados ao longo de décadas de trabalho. Segundo relatos, esses investidores colocaram na plataforma suas economias de uma vida, confiando na promessa de retorno financeiro, que agora deixou de existir. A situação é preocupante e reflete uma vulnerabilidade comum em esquemas não regulamentados, que muitas vezes se dispõem a enganar investidores em troca de ganhos rápidos e ilegais.
O que sabemos?
- A Polícia Civil investiga a empresa Capittal X por suspeita de pirâmide financeira.
- Clientes relatam perdas de até R$ 50 milhões.
- Problemas começaram no fim de 2025, após a plataforma sair do ar.
- Até agora, 34 vítimas foram identificadas e 21 ocorrências registradas.
- A empresa não tinha autorização do Banco Central, segundo investigação.
Fontes
- G1 imprensa





