Policial

Interior de São Paulo é foco de quadrilhas especializadas em falsificação de agrotóxicos

Em apuração ?

Operações desde 2014 revelam estrutura criminosa que movimenta bilhões e ameaça a economia agrícola

Imagem ilustrativa de agrotóxicos e embalagens falsas sobre uma mesa de fiscalização.
Imagem: G1

O mercado ilegal de agrotóxicos representa 25% dos produtos utilizados no Brasil, com forte atuação no interior de São Paulo, incluindo Ribeirão Preto. Investigações apontam uma rede sofisticada de falsificação, que causa prejuízos bilionários e concorrência desleal.

Segundo fontes que acompanham de perto o cenário agrícola e criminal, o interior de São Paulo, especialmente regiões como Ribeirão Preto, concentra quadrilhas altamente especializadas na falsificação de agrotóxicos. Desde 2014, o Ministério Público, por meio do Gaeco, realizou ao menos oito operações na área, evidenciando uma rede criminosa que manipula desde embalagens até componentes químicos, dificultando a fiscalização e colocando em risco toda a cadeia produtiva agrícola do país.

Em uma das operações mais recentes, deflagrada em dezembro de 2025, foram presos 21 suspeitos entre Franca e o Espírito Santo. Ainda conforme informações obtidas desta fonte, um advogado foi apontado como líder do grupo, o que reforça o nível de articulação e sofisticação das organizações envolvidas. As investigações apontam que a estrutura criminosa conta com profissionais especializados em manuseio químico e embalagens altamente precisas, capazes de se passarem por produtos legais, tornando o combate às fraudes ainda mais desafiador.

Apesar do impacto bilionário estimado — em uma das operações, o prejuízo ultrapassou R$ 11 bilhões — o promotor de Justiça Adriano Mellega destacou que o mercado legal de agrotóxicos possui regras bem definidas, que facilitam a identificação de fraudes quando a fiscalização é bem executada. Segundo ele, a concorrência desleal, a sonegação de impostos e os riscos à produção agrícola representam um efeito devastador para toda a cadeia, além de prejudicar a inovação e o investimento em novas tecnologias.

O uso de tecnologias de gestão e inteligência artificial tem se mostrado uma arma importante na luta contra essas fraudes. Felipe Póvoa, diretor de uma empresa de soluções tecnológicas que trabalha com sistemas integrados de gestão, explicou que algoritmos cruzam dados de compras, logística e consumo, detectando velocidades e padrões incomuns, como solicitações de volume desproporcional por filiais ou rotas de entrega fora do padrão. Ainda que todas essas ações estejam em andamento, o papel da fiscalização regular e de articulações entre órgãos continua fundamental para desmantelar essas organizações.

Por ora, as investigações ainda estão em curso, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre o tema. Contudo, a operação revela a complexidade de um problema que, de acordo com especialistas, exige esforço conjunto entre autoridades, setor privado e tecnologia para mitigar os prejuízos à economia e garantir a segurança na agricultura brasileira.

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O que sabemos?

  • O mercado ilegal de agrotóxicos representa 25% dos produtos no Brasil.
  • Desde 2014, ao menos oito operações contra fraudes na região de Ribeirão Preto.
  • Operação em dezembro de 2025 prendeu 21 pessoas, incluindo um advogado apontado como líder.
  • Prejuízo estimado em uma operação passa de R$ 11 bilhões.
  • Tecnologias de gestão e inteligência artificial auxiliam na identificação de fraudes.

Fontes

  • G1 imprensa
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