Homem condenado a mais de 25 anos por tráfico internacional de armas em Uberlândia
Décio Túlio Alves liderava organização criminosa transnacional, segundo Justiça
Décio Túlio Vieira da Silva Alves, de 36 anos, foi condenado por tráfico de armas e por chefiar uma organização criminosa. As sentenças totalizam mais de 25 anos de prisão, após operações da Polícia Federal.
Em uma decisão que chama atenção no Triângulo Mineiro, a Justiça de Uberlândia condenou nesta terça-feira (29) Décio Túlio Vieira da Silva Alves a mais de 25 anos de prisão por envolvimento em tráfico internacional de armas e por chefiar uma organização criminosa transnacional, segundo informações divulgadas pela Polícia Federal. Décio, de 36 anos, é apontado como um dos principais nomes na rede, que atuava sobretudo na entrada de armas de grosso calibre e drogas vindas do Paraguai para Minas Gerais.
Segundo o juiz responsável pela sentença da fase 2 da Operação Scutum, Décio era considerado “o centro da articulação” do grupo criminoso. A investigação aponta que ele negociava diretamente com fornecedores no Paraguai, encomendando cargas, estabelecendo rotas, monitorando fiscalizações na fronteira e distribuindo os produtos para uma rede de clientes na região. Ainda de acordo com o magistrado, ele tinha contato direto com fornecedores paraguaios, passando informações sobre disponibilidade de armas, incluindo pistolas e fuzis, além de negociar valores e condições para o transporte.
Na fase 1 da operação, ainda não confirmada oficialmente, Décio foi condenado a 20 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por tráfico de armas e contrabando de cigarros eletrônicos. Em uma ação na sua residência, ocorrida em 2024, foram apreendidos 195 cigarros eletrônicos proibidos no Brasil, uma pistola, munições, um carro de luxo, celulares e cheques. Na ocasião, ele foi preso em flagrante, mas posteriormente liberado com uso de tornozeleira eletrônica. A sentença destaca que, nessa fase, Décio foi considerado apenas como interlocutor pontual, sem vínculo estável com uma organização criminosa, ao contrário do que foi constatado na fase 2.
As investigações também revelaram que, em fevereiro de 2024, Décio teve contato com um chefe de outro grupo criminoso de Goiânia, que solicitou a ele informações sobre a disponibilidade de fuzis no Paraguai, passando o telefone de um fornecedor local. Ainda de acordo com fontes da PF, a parceira do chefe desse grupo foi condenada a mais de 33 anos de prisão, indicando a relação entre esses grupos na tentativa de adquirir armas de alta potência.
Além do contrabando e do tráfico de armas, as investigações identificaram que Décio também atuava na entrada de drogas e atividades relacionadas, reforçando seu papel como figura central em uma rede transnacional. Segundo a PF, a terceira fase da Operação Scutum, realizada em maio de 2026, cumpriu 13 mandados em Uberlândia e cidades do Triângulo Mineiro, continuidade das ações que visam desmontar as operações criminosas na região. Ainda não há confirmação oficial de novas prisões ou desdobramentos dessa fase, que reforça o esforço das autoridades contra o crime organizado na fronteira com o Paraguai.
O que sabemos?
- Décio Túlio Alves foi condenado a mais de 25 anos de prisão.
- Ele liderava organização criminosa transnacional, segundo a Justiça.
- As condenações ocorreram em duas fases da Operação Scutum.
- Na fase 1, foi condenado por tráfico de armas e contrabando de cigarros eletrônicos.
- Na fase 2, a condenação foi por chefiar organização criminosa, com regime semiaberto.
Fontes
- G1 imprensa





