Golpe envolvendo viagem religiosa para Aparecida atinge mais de 80 vítimas no RS
Empresa indiciada por estelionato deixa fiéis sem viagem e prejuízos de várias dezenas de milhares de reais
Mais de 80 pessoas, em sua maioria idosos, foram vítimas de uma agência de turismo que prometia excursões religiosas para Aparecida, mas não realizou as viagens. Polícia indica a empresa por estelionato e investiga casos em diferentes cidades do Rio Grande do Sul.
O número de vítimas de um golpe envolvendo a venda de pacotes de viagem para a cidade de Aparecida, no estado de São Paulo, pode ter ultrapassado 80, segundo informações de uma investigação policial em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. A maioria dos afetados é composta por fiéis com mais de 60 anos, que aguardavam com expectativa as excursões religiosas, mas tiveram seus sonhos frustrados quando os ônibus prometidos para o dia 27 de julho nunca chegaram ao local de embarque.
Conforme relata a polícia, em Canoas, uma denúncia de 34 vítimas levou ao indiciamento da empresa JPF Turismo Religioso e do responsável pela mesma, Márcio Flores, pelo crime de estelionato. O inquérito, que foi enviado ao Poder Judiciário no dia 18 de setembro, revela que a agência alegou dificuldades financeiras e prometeu reembolsar os clientes o mais rápido possível, apesar de ainda não ter efetuado qualquer pagamento ou iniciativa de ressarcimento até a data do indiciamento. A agência, atuante há 13 anos, afirma que o problema ocorreu apenas nas duas últimas romarias à Aparecida.
Em Novo Hamburgo, a polícia também apurou denúncias de 44 vítimas, que tiveram um prejuízo estimado em cerca de R$ 74 mil. Além de Canoas e Novo Hamburgo, investigações estão em andamento em outras cidades, como Bagé, onde há registros de vítimas afetadas pelo mesmo golpe. Segundo o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, a investigação ainda está em curso, com vítimas identificadas em localidades como Campo Bom, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Araricá, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, e Rolante.
O relato das vítimas aponta que muitas não tinham condições de pagar o valor integral da viagem à vista e precisaram parcelar suas compras, o que agravou ainda mais o prejuízo diante do cancelamento sem aviso prévio. De acordo com o delegado Cristiano Reschke, da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas, mesmo que a viagem não tenha sido planejada inicialmente para causar prejuízo, ao perceber que não cumpriria o compromisso, o organizador assumiu o risco de não realizar o serviço e não avisou os passageiros, mesmo com a proximidade da data marcada.
Especialistas recomendam que, antes de contratar uma agência de viagens, os clientes verifiquem o histórico da empresa. Segundo o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach, uma dica importante é consultar o CNPJ ativo no site da Receita Federal e verificar o cadastro no site Cadastur e no Reclame Aqui, para conferir possíveis reclamações anteriores. Essas medidas podem ajudar a evitar situações semelhantes e proteger os consumidores de golpes futuros.
O que sabemos?
- Mais de 80 vítimas em várias cidades do RS.
- Empresa JPF Turismo Religioso foi indiciada por estelionato.
- A viagem era marcada para 27 de julho; ônibus não chegaram.
- A maioria das vítimas tem mais de 60 anos.
- Prejuízo estimado passa de R$ 74 mil.
- Investigações continuam, com vítimas em diversas cidades.
- Empresa afirma estar organizada para reembolsar as vítimas
Fontes
- G1 imprensa





