Policial

Especialistas alertam para dificuldades na prevenção de feminicídios devido à fragmentação de dados

Confirmada por múltiplas fontes ?

Falta de integração entre instituições dificulta ações de proteção às vítimas de violência doméstica

Ilustração de uma mulher e diversos órgãos de atendimento conectados por linhas
Imagem: Agência Brasil

Segundo estudos e especialistas, a ausência de uma rede unificada de atendimento contribui para a continuidade dos feminicídios, apesar de sinais de risco frequentemente serem identificados antes dos crimes.

A dificuldade na prevenção de feminicídios no Brasil tem raízes na fragmentação dos serviços de atendimento às vítimas de violência, uma questão que foi discutida durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, a ausência de integração entre as diferentes instituições que atuam na assistência às mulheres ameaçadas impede uma visão completa do ciclo de violência, dificultando medidas preventivas eficazes.

Em sua fala, Chakian destacou que, embora ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas sejam frequentemente identificados antes do feminicídio, eles muitas vezes não resultam em ações coordenadas, pois cada órgão registra apenas parte do fenômeno. "A fragmentação institucional, em que cada instituição registra apenas parte do fenômeno, faz com que o Estado tenha uma visão de fragmentos, não da trajetória de violência", afirmou. Ela também apontou que as falhas na fiscalização das medidas protetivas de urgência agravam esse cenário, transformando oportunidades de intervenção em tragédias evitáveis.

O delegado Julio Guebert, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, reforçou a importância de uma rede de atendimento conectada, que possa articular diferentes órgãos e profissionais. "Se não tiver uma rede, nós não vamos chegar a lugar nenhum", declarou Guebert, destacando que a atuação isolada de serviços impede uma resposta eficaz às vítimas. Ele explicou que a ideia é que todas as portas de atendimento — na delegacia, no Ministério Público, na Defensoria, na saúde e na educação — estejam integradas, para que o acompanhamento seja contínuo e abrangente.

Segundo a fonte, ainda há desafios orçamentários e estruturais na implantação dessas redes integradas. O Ministério Público enfatiza a necessidade de fortalecer a troca de informações e garantir uma atuação coordenada, como uma estratégia fundamental para evitar mortes de mulheres que, muitas vezes, já apresentam sinais visíveis de risco. Ainda não há confirmação de um cronograma específico para a implementação dessas ações em todo o país, mas o debate mostra que a questão é prioritária para os órgãos de segurança e assistência social.

Diante disso, especialistas concluem que a fragmentação de dados e a ausência de uma estratégia unificada representam uma das maiores barreiras na luta contra o feminicídio, sendo crucial que todas as instâncias envolvidas se empenhem em criar uma rede de proteção efetiva, capaz de agir antes que seja tarde demais.

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O que sabemos?

  • A fragmentação de dados dificulta a prevenção de feminicídios.
  • Ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas são sinais comuns antes do feminicídio.
  • Especialistas defendem uma rede integrada de atendimento às vítimas.
  • Faltam integração e fiscalização eficazes para evitar mortes de mulheres.

Fontes

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