Família de condenado na Arábia Saudita denuncia retenção de corpo de jovem etíope
Prática de reter restos mortais de executados provoca críticas internacionais e sofrimento familiar
Familiares de um jovem etíope executado na Arábia Saudita afirmam que receberam a notícia da morte pelas redes sociais, sem ter acesso ao corpo, prática considerada por especialistas como abuso de direitos humanos.
Famílias e organizações de direitos humanos denunciam uma prática controversa na Arábia Saudita: a retenção dos corpos de pessoas executadas, o que tem provocado dor e angústia irreparáveis às famílias. Segundo informações de uma organização beneficente, até o dia 27 de julho, o país havia executado 116 pessoas neste ano, incluindo cinco etíopes no mês de junho, com a execução ocorrendo no centro de detenção de Khamis Mushait, na província de Asir, no sul do país. Ainda não há confirmação oficial sobre o momento exato e a notificação formal das execuções, mas relatos indicam que a família de Kibrom Kinfe Aregawi, de 25 anos, descobriu a morte do jovem por redes sociais, o que agravou o sofrimento do pai, Kinfe Aregawi.
Segundo o pai, ele soube da execução através de uma rede social, o que não é considerado uma forma oficial de comunicação. “Descobri pelas redes sociais que ele estava morto”, afirmou Kinfe Aregawi, ressaltando que, na cultura cristã ortodoxa etíope, o ritual de um enterro religioso é fundamental para ajudar na aceitação da perda. Entretanto, ele explicou que, por não terem recebido os restos mortais de Kibrom, eles não puderam realizar essa cerimônia tradicional, ficando apenas com o luto sem o corpo.
Organizações de direitos humanos criticam duramente essa prática. A pesquisadora sênior da Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos (ESOHR), Duaa Dhainy, afirmou que a recusa de devolver o corpo não se trata de uma questão administrativa, mas de uma extensão da punição às famílias. Ainda de acordo com ela, essa atitude prolonga o sofrimento emocional das famílias de quem foi executado. A relatora especial da ONU sobre liberdade de religião ou crença, Nazila Ghanea, também condenou a prática, classificando-a como "tortura e abuso".
Membros familiares dos condenados afirmam que não foram previamente avisados sobre a execução, que teria ocorrido em 23 de junho. Essa ausência de comunicação, combinada à não devolução dos corpos, tem sido alvo de críticas internacionais e levantado debates sobre os limites do uso da pena de morte na Arábia Saudita, país que, além de ser um dos que mais executam pessoas no mundo, recebe forte atenção por sua política de direitos humanos. O caso de Kibrom exemplifica o impacto emocional dessa política, sobretudo na comunidade cristã ortodoxa etíope, que considera o sepultamento uma parte essencial de seu rituais religiosos.
O que sabemos?
- 5 etíopes executados na Arábia Saudita em junho.
- Executados por contrabandear maconha.
- Corpos não foram repatriados às famílias.
- Famílias descobrem mortes pelas redes sociais.
- Organizações de direitos humanos criticam a prática.
Fontes
- G1 imprensa
- BBC News Brasil imprensa




