Policial

Falhas em execuções com injeção letal nos EUA se tornaram mais frequentes, aponta avaliação

Em apuração ?

Aumento de complicações e dificuldades no sistema de pena de morte preocupa especialistas e relataram casos de sobrevivência durante a aplicação

Imagem ilustrativa de uma sala de execução nos EUA
Imagem: CNN Brasil

Executores e especialistas apontam que erros na aplicação da injeção letal estão mais comuns, devido à escassez de medicamentos e ao uso de procedimentos cada vez mais delicados e arriscados.

Nos Estados Unidos, as falhas no método de execução conhecido como injeção letal estão se tornando mais frequentes, segundo informações apuradas por uma fonte especializada. A última quarta-feira, no Tennessee, marcou uma dessas ocorrências, quando uma execução mal-sucedida gerou debates sobre a eficácia e a segurança do procedimento. Ainda que essa não seja a primeira situação assim no estado ou neste ano, dados indicam que o número de falhas vem crescendo, o que preocupa aqueles que defendem a pena de morte.

Segundo o professor de jurisprudência e ciência política, Austin Sarat, essas falhas se tornaram mais comuns à medida que os estados enfrentam dificuldades com fornecedores de medicamentos utilizados nas injeções. Sarat explica que, ao longo da última década e meia, empresas farmacêuticas têm restringido o uso de seus produtos para fins de execução, e a resistência de associações médicas, incluindo a Americana de Medicina e de Enfermagem, tem limitado a participação de seus membros nesses procedimentos. Como consequência, o método vem sendo realizado de forma cada vez mais precária, por pessoas sem treinamento adequado e com drogas adquiridas clandestinamente no mercado negro, o que Sarat descreve como uma "versão Frankenstein do modelo médico".

Dados históricos revelam que, entre 1890 e 2010, cerca de 7% das execuções por injeção letal apresentaram falhas, causando atrasos, dor desnecessária e, por vezes, resultados macabros. Para o restante dos métodos de pena de morte, esse índice é de aproximadamente 3,2%. Sarat afirma que, desde 2010, esse percentual vem se aproximando de 8%, refletindo um aumento considerável na ocorrência de pessoas que, assim como Christa Pike, sobrevivem às injeções – muitas vezes, ficando dias ainda sob o efeito de drogas ou com consequências graves.

O método de injeção letal foi desenvolvido em 1977, em Oklahoma, para substituir procedimentos considerados mais brutais, como enforcamento, fusilamento ou câmara de gás. A primeira utilização foi no Texas, cinco anos após o desenvolvimento, envolvendo a administração de uma sequência de drogas: um anestésico, o tiopental sódico, seguido por um paralisante, o brometo de pancurônio, e por fim o cloreto de potássio, que para o coração.

Entretanto, a crise de abastecimento e controle sobre os medicamentos levou a uma crescente escassez e ao uso de drogas que muitas vezes são adquiridas clandestinamente. Em 2010, uma campanha liderada pelo grupo de direitos humanos Reprieve, do Reino Unido, pressionou empresas farmacêuticas europeias a proibirem a exportação desses medicamentos para os EUA com a finalidade de uso na pena capital. Apesar de resistências iniciais, muitas companhias optaram por restringir a comercialização, influenciadas por controles internacionais e pela própria pressão ética, o que agravou o problema das execuções mal-sucedidas, já que o procedimento passou a depender de drogas de difícil acesso e de métodos cada vez mais arriscados.

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O que sabemos?

  • Falhas em execuções por injeção letal estão se tornando mais frequentes
  • Dados indicam aumento na taxa de falhas desde 2010, chegando a cerca de 8%
  • Drogas utilizadas nas execuções vêm de mercado negro devido à escassez e restrições legais
  • Especialistas atribuem aumento dos erros à dificuldade na obtenção de medicamentos e ao procedimento realizado por pessoas sem treinamento adequado

Fontes

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