Policial

Mercado global de cocaína cresce aceleradamente desde 2016, Brasil é peça-chave na cadeia internacional

Em apuração ?

Produção global quase triplicou e apreensões aumentaram exponencialmente em vários continentes

Relatórios mostram expansão da produção e distribuição de cocaína entre 2016 e 2024, com destaque para o papel do Brasil na origem das apreensões europeias e a maior presença do PCC no tráfico internacional.

O mercado internacional de cocaína vive desde 2016 uma expansão acelerada e profunda transformação, segundo dados compilados por diversas organizações oficiais. A ONUDC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) aponta que a produção global passou de cerca de 1.400 toneladas anuais para mais de 4.000 toneladas em um intervalo de pouco mais de sete anos, o que reflete uma explosão na oferta dessa droga no mundo.

Essa mudança não tem se limitado apenas ao volume, mas se expressa também na qualidade e no preço do produto. Na França, por exemplo, o OFDT (Observatório Francês de Drogas e Tendências de Dependência) registrou que a pureza da cocaína vendida no varejo aumentou de 45% para quase 80%, enquanto o valor médio caiu 25% no mesmo período. Esse cenário de maior qualidade e preços mais acessíveis tem sido um motor para o crescimento do consumo global.

As apreensões da droga também cresceram vertiginosamente em diversos países: na Europa, conforme números da Euda (Agência da União Europeia sobre Drogas), as quantidades confiscadas multiplicaram-se por seis entre 2016 e 2023. Em regiões asiáticas como Hong Kong, Japão e Coreia do Sul, o aumento foi ainda mais expressivo, com apreensões quintuplicando até 2024, segundo dados das polícias, Justiças e alfândegas locais. A África não ficou atrás, com um aumento superior a 20 vezes, conforme a ONUDC, e a Austrália viu suas apreensões triplicarem, de acordo com a Comissão Australiana de Inteligência Criminal (Acic).

O Brasil se destaca nesse cenário como a principal origem das apreensões de cocaína feitas na Europa desde 2019, conforme a Euda, e também como um importante agente dessa transformação no mercado global. Um estudo iniciado em 2022, divulgado pelo UOL Notícias, tem investigado a inserção internacional do PCC (Primeiro Comando da Capital) no tráfico de cocaína, que opera rotas que partem da Bolívia até a Europa, envolvendo diversos países nesta rede criminosa. Esses dados enfatizam o papel do Brasil não apenas como exportador, mas como ator central na logística e gestão desse comércio ilícito.

Essa conjuntura que combina aumento da produção, da qualidade e da oferta, com a redução dos preços, potencializa o consumo e amplia os desafios para o combate internacional ao tráfico de drogas. A influência crescente do PCC nas operações transnacionais indica uma mudança na dinâmica do crime organizado, que agora atua em múltiplos continentes com maiores capacidades logísticas.

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O que sabemos?

  • Produção global de cocaína quase triplicou de 1.400 para mais de 4.000 toneladas por ano desde 2016.
  • Apreensões na Europa aumentaram seis vezes entre 2016 e 2023, com destaque para o Brasil como principal origem desde 2019.
  • Na França, pureza da cocaína subiu de 45% para quase 80%, enquanto o preço caiu 25%.
  • PCC expandiu sua atuação internacional no tráfico de cocaína, envolvendo países da Bolívia à Europa.

Fontes

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