Policial

Estudo mostra que ultrapassagens de ciclistas por veículos em São Paulo ficam abaixo do recomendado

Em apuração ?

Dados revelam riscos e desafios na mobilidade ciclística na capital paulista

Ciclista na ciclofaixa de São Paulo com veículos passando próximo
Imagem: Folha de S.Paulo

Mais de 75% das ultrapassagens de ciclistas por veículos na cidade de São Paulo ocorrem a menos de 1,5 metro de distância, o mínimo permitido pelo Código de Trânsito Brasileiro. Além disso, a segurança para quem pedala ainda enfrenta obstáculos devido à insuficiência de infraestrutura adequada.

Um estudo recente realizado pelo Instituto Cordial, solicitado pelo Itaú Unibanco, trouxe à tona dados preocupantes sobre a convivência entre ciclistas e motoristas na cidade de São Paulo. Segundo o levantamento, mais de três em cada quatro ultrapassagens de veículos por bicicletas ocorrem a uma distância inferior a 1,5 metro, que é o limite mínimo previsto por lei para ultrapassagens seguras no país. A média de distância registrada na capital é de apenas 1,08 metro, o que representa uma situação de risco constante para quem pedala. Ainda mais preocupante é o fato de que, na zona leste da cidade, a distância média chega a meros 55 centímetros, um dado que, segundo especialistas, aumenta significativamente as chances de acidentes.

De acordo com os dados do estudo, o aumento da mortalidade de ciclistas também chamou a atenção das autoridades. Nos primeiros nove meses deste ano, a cidade registrou uma alta de 18% nas mortes de ciclistas em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 22 para 26 óbitos, conforme dados do sistema estadual Infosiga. Este crescimento proporcional é o maior entre todas as categorias de vítimas de acidentes de trânsito na capital paulista, que, globalmente, enfrentaram um aumento de 1,5% nas fatalidades. Para o diretor de operações do Instituto, Luís Fernando Villaça Meyer, a situação evidencia a necessidade de mais investimentos em infraestrutura e fiscalização. Ele afirmou que “a segurança do ciclista depende de uma infraestrutura viária que ofereça mais proteção, como faixas de recuo e ciclovias bem desenhadas, além de fiscalização da distância mínima de ultrapassagem”. Destacou ainda que essas medidas são especialmente importantes na zona leste, onde as ruas já são, em média, mais estreitas.

O estudo também revelou que, em locais com infraestrutura adequada, como ciclovias e ciclofaixas, a velocidade dos ciclistas tende a ser aproximadamente 18% maior do que em outros pontos da cidade sem esses recursos. Para apoiar a ampliação desta rede, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informa que São Paulo possui atualmente a maior malha cicloviária do Brasil, com 795,5 km de extensão. A meta do município é alcançar 1.000 km até 2028, ao fim do mandato do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Desde 2021, a administração afirma que foram implantados ou requalificados 500,12 km de ciclovias. A estratégia, segundo a prefeitura, é ampliar a conexão entre os trechos e garantir uma infraestrutura segregada, ou seja, que separa as bicicletas dos veículos motorizados, de modo a aumentar a segurança dos ciclistas.

Para reforçar a segurança, as ações de fiscalização foram intensificadas na semana passada, com agentes de trânsito e a Guarda Civil Metropolitana realizando operações específicas na circulação de bicicletas, bicicletas elétricas e autopropelidos nas ciclovias da cidade. Além da fiscalização, a prefeitura tem investido em ações educativas, como o curso Pedalar com Segurança, oferecido no Centro de Treinamento e Educação de Trânsito, que combina aulas teóricas e práticas para ciclistas. Essas iniciativas visam conscientizar os usuários sobre a importância de respeitar as regras e a distância mínima de segurança ao compartilhar rua com os veículos motorizados.

Outro ponto mencionado pelo estudo está relacionado à poluição em trechos da ciclovia da marginal Pinheiros, na zona oeste da cidade. Nos trechos de Pinheiros e Alto de Pinheiros, os índices de poluição do ar ultrapassam, em média, 163% a média municipal, chegando a níveis considerados elevados para a saúde dos ciclistas. A análise aponta que, em toda a extensão estudada da ciclovia, a poluição nesses trechos chega a ser 22% superior ao resto da cidade, levantando preocupações sobre os efeitos da má qualidade do ar na segurança e bem-estar dos ciclistas. Ainda não há confirmação oficial de que esses dados tenham motivado mudanças nas políticas municipais, mas eles reforçam os obstáculos que os usuários de bicicleta enfrentam diariamente na capital paulista.

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O que sabemos?

  • Mais de 75% das ultrapassagens de ciclistas por veículos ocorrem a menos de 1,5 metro.
  • A distância média registrada na cidade é de 1,08 metro, sendo apenas 55 centímetros na zona leste.
  • Mortes de ciclistas aumentaram 18% nos primeiros nove meses de 2023, chegando a 26 óbitos.
  • São Paulo possui a maior malha cicloviária do Brasil, com 795,5 km, com meta de atingir 1.000 km até 2028.
  • Poluição na ciclovia da marginal Pinheiros está até 163% acima da média municipal.
  • Estudo foi conduzido pelo Instituto Cordial, a pedido do Itaú Unibanco.

Fontes

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