Estudo revela que amizades influenciam comportamentos de chimpanzés em relação ao roubo de alimentos
Pesquisadores observam que vínculos próximos reduzem a frequência de roubos e alteram reações emocionais nos animais
Uma pesquisa realizada no Uganda traz insights sobre a influência das relações sociais entre chimpanzés na rotina de roubos de comida, indicando que laços de amizade podem atenuar comportamentos agressivos.
Um estudo recente divulgado na revista Evolution and Human Behavior revelou que a presença de amizades entre chimpanzés pode influenciar significativamente suas ações ao roubar alimentos de outros animais, além de afetar suas reações emocionais diante dessas situações. A pesquisa, conduzida por uma equipe que acompanhou 26 chimpanzés no Santuário de Chimpanzés da Ilha de Ngamba, em Uganda, durante mais de 800 horas de observação, trouxe dados que despertam interesse tanto para especialistas quanto para quem gosta de saber mais sobre o mundo animal.
De acordo com os pesquisadores, quando um chimpanzé tentava roubar alimentos de outro, sua frequência variava de acordo com o grau de vínculo entre eles. Em circunstâncias onde o indivíduo vítima era apenas um conhecido ou não possuía laços próximos, o roubo ocorria em 70% das tentativas. Por outro lado, se a vítima era um amigo próximo, esse número caía para 61%. Essa diferença, embora pareça pequena, é considerada relevante pelos cientistas, pois indica que os animais parecem entender e reagir emocionalmente às relações sociais ao seu redor.
Para realizar o estudo, os pesquisadores criaram uma situação de teste, na qual um chimpanzé tinha acesso a três bandejas com abacaxis, enquanto outro, na sala ao lado, tinha a oportunidade de puxar uma corda que conectava as bandejas a uma área com frutas. Assim, a equipe conseguiu observar como os animais se comportavam ao realizar ou impedir os roubos, além de analisar suas reações ao serem pegos no ato ou ao testemunharem a ação de um amigo. As reações comportamentais, como bater os pés, socar a mesa e gritar, foram monitoradas e interpretadas como sinais de irritação ou estresse relacionados à situação.
Segundo os autores do estudo, as reações dos chimpanzés também variavam em função do vínculo social: eles ficavam mais irritados e permaneciam mais tempo demonstrando sinais de insatisfação quando roubavam de um amigo, o que sugere que eles percebem a ação como algo mais hostil se realizada por alguém próximo ao seu circulo social. Assim, os cientistas interpretam que, para esses animais, a amizade não é apenas uma questão de comportamento, mas está relacionada às expectativas e emoções vinculadas às relações de convivência, refletindo um nível de inteligência emocional que assusta e encanta ao mesmo tempo.
Ao pesquisar as emoções e comportamentos desses animais, a equipe espera contribuir para uma compreensão mais aprofundada do funcionamento social dos primatas, além de alertar para a complexidade das relações na vida selvagem. Ainda não há uma confirmação oficial sobre o impacto que essas descobertas possam ter na proteção ou manejo de espécies em cativeiro, mas os resultados indicam que entender as amizades na vida animal pode ser uma ferramenta importante para a conservação e o bem-estar desses seres tão próximos de nós na cadeia evolutiva.
O que sabemos?
- Estudo realizado com 26 chimpanzés em Uganda.
- Mais de 800 horas de observação no cenário de testes.
- A frequência de roubos foi de 70% quando a vítima não era uma amiga próxima, caindo para 61% quando era um amigo.
- Reações emocionais como irritação e sinais de estresse foram observadas após os roubos.
- Percepção de hostilidade e expectativa de relacionamento afetando o comportamento.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





