Estudante agredido na UFRJ nega ser nazista e teme retomar aulas no campus
Diego Araújo afirma que usa símbolos nazistas apenas para estudo acadêmico e nega participação em grupos extremistas
Após ser espancado por colegas na UFRJ por usar camiseta e broche com símbolos associados ao nazismo, estudante do curso de História diz que sua postura é acadêmica e que se identifica como marxista. Caso está sob apuração da Polícia Civil e de sindicância interna da universidade.
Na noite do último dia 25, o estudante de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diego Costa da Silva Araújo, de 27 anos, foi agredido por alunos do campus do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). O grupo o abordou dentro da sala de aula, retirando-o do local para aplicar a agressão, motivados pela camiseta e acessórios que Diego vestia, identificados como ligados à simbologia nazista.
Em entrevista ao jornalista Pedro Doria, divulgada no YouTube, Diego negou ser nazista ou engajado em qualquer extrema direita. "Minha mente está pacífica. Eu não cometi nenhum crime. Nada do que me acusam é real", afirmou. Ao ser questionado sobre suas posições políticas, disse se identificar com a esquerda marxista, ressaltando que seu interesse pela iconografia nazista e pelo fascismo é estritamente acadêmico. "Eu não compactuo com os ideais fascistas, não compactuo com os ideais nazistas. Eu sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil seja na Europa. Meu interesse é puramente acadêmico", explicou.
Diego ressaltou ainda que não possui histórico de participação em grupos extremistas, como aqueles classificados como Redpill, nem em plataformas como Telegram ou Discord. "Nunca tive contato com esses grupos dessa forma, apenas como observador para entender seus pensamentos", disse. Segundo as informações, a camiseta que usava no episódio é da banda britânica de pós-punk Death in June, que apresenta uma caveira semelhante à Totenkopf, símbolo famoso das tropas nazistas na Segunda Guerra Mundial. Em contrapartida, o estudante usava um broche antinazista, que traz uma suástica riscada em vermelho na diagonal.
O caso gerou forte repercussão dentro da UFRJ, que declarou ter instaurado uma sindicância para apurar o ocorrido e buscar responsabilidades. A universidade informou também que está desenvolvendo cartilhas para capacitar os servidores a lidarem com situações semelhantes. A Polícia Civil do Rio de Janeiro está realizando investigação paralela sobre a agressão. Enquanto isso, Diego disse temer retornar ao campus onde foi agredido, afirmando que sua trajetória acadêmica foi interrompida pelo episódio.
Procurado pela reportagem por meio da advogada que o representa, Diego não retornou os contatos para novas declarações. O episódio colocou a diretoria da UFRJ sob pressão e levantou debates sobre a apreensão de símbolos controversos no ambiente acadêmico, a liberdade de expressão e o entendimento sobre fenômenos sociais complexos, como o fascismo, que o próprio estudante classificou como "camaleônico" e difícil de ser caracterizado, devido à mistura de suas origens e contradições internas.
O que sabemos?
- Diego Araújo, estudante de História da UFRJ, foi agredido em 25 de junho dentro do IFCS.
- Ele usava uma camiseta da banda Death in June e um broche antinazista no momento da agressão.
- Diego nega ser nazista e afirma se identificar com a esquerda marxista, tratando o tema nazismo como objeto de estudo acadêmico.
- A UFRJ abriu sindicância para apurar o caso, que também é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa




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