Esquema bilionário de garimpo ilegal na Terra Yanomami é alvo de denúncia do MPF
Investigações revelam a complexa operação de extração clandestina de ouro e cassiterita na região de Roraima
O Ministério Público Federal acusa seis pessoas e quatro empresas de causarem prejuízo de R$ 1,7 bilhão na Terra Yanomami, envolvendo transporte aéreo, exploração de jazidas e comercialização irregular.
Uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) revelou detalhes de um esquema bilionário de garimpo ilegal de ouro e cassiterita na Terra Yanomami, localizada na região de Roraima. Segundo o MPF, a estrutura criminosa, ainda não confirmada oficialmente por outras fontes, movimentou recursos que chegam a R$ 1,7 bilhão, ao explorar e comercializar minérios de forma clandestina. A operação envolvia diversas etapas, desde a extração nas jazidas até o transporte aéreo dos minerais, tudo coordenado por um grupo de empresas e pessoas sob a liderança de um empresário conhecido como Rodrigo Cataratas, que atuava como coordenador do transporte clandestino.
De acordo com a denúncia do MPF, o esquema era dividido em setores bem definidos. Rodrigo Cataratas, que além de liderar o transporte clandestino também era cotista-produtor, utilizava as empresas Tarp Táxi Aéreo Ltda e Cataratas Poços Artesianos Ltda para transportar garimpeiros, combustíveis, insumos e o minério extraído ilegalmente. Ainda segundo o órgão, ele teria recebido mais de R$ 19 milhões provenientes de movimentações financeiras relacionadas ao esquema. O núcleo estratégico e financeiro também contava com Alessandro Saccoman Torrente, que gerenciava o fornecimento de maquinário pesado para abrir as jazidas, além de movimentar grandes volumes de cassiterita enviada para Rondônia.
O esquema operava na região do Pupunha, na bacia do Rio Mucajaí, ao sul de Roraima, onde os minerais eram extraídos por trabalhadores com maquinário próprio. Os dados indicam que Nelcides de Almeida Mello, envolvido na exploração direta, pagou mais de R$ 5,6 milhões em fretes aéreos entre novembro de 2020 e junho de 2021. A gestão dos insumos, equipamentos e o controle das pistas clandestinas ficava a cargo de Valdeci Aparecido Cardoso. A Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin) funcionava como intermediária, declarando o minério ilegal como se fosse de cooperados regulares para dar aparência de legalidade à operação. Todo o produto era então vendido à mineradora White Solder Metalurgia e Mineração Ltda, também citada na denúncia.
O MPF ainda revelou que toda a atividade ilícita tinha suporte em uma estrutura organizada, envolvendo empresas, cooperativas, pilotos e operadores especializados, síncronos na violação de leis ambientais e minerárias. Em entrevista ao órgão, se destaca que a cooperativa envolvida, a Coopertin, não possuía produção própria nem cooperados atuantes, o que reforça a irregularidade do esquema. A investigação aponta que Rodrigo Cataratas utilizava as empresas Tarp Táxi Aéreo Ltda e Cataratas Poços Artesianos Ltda para transportar clandestinamente garimpeiros e minério, reforçando sua liderança na operação. Apesar do esforço do MPF, ainda não há confirmação de respostas oficiais de todos os envolvidos, e o clube não se pronunciou até o momento.
O que sabemos?
- MPF acusa 4 empresas e 6 pessoas por exploração ilegal na Terra Yanomami
- Esquema arrecadou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em prejuízos econômicos
- Líder do esquema, Rodrigo Cataratas, transportava garimpeiros e materiais clandestinamente
- Acompanhamento financeiro aponta mais de R$ 19 milhões em movimentações ilícitas para Cataratas
- Operação ocorre na região do Pupunha, na bacia do Rio Mucajaí, ao sul de Roraima
Fontes
- G1 imprensa



