Estudo revela envolvimento do Banco da Inglaterra com o tráfico transatlântico de escravos
Pesquisador aponta ligação entre o sistema financeiro britânico e a escravidão nos séculos passados
Uma pesquisa inédita sugere que o Banco da Inglaterra esteve profundamente ligado ao tráfico de escravos africanos, envolvendo dezenas de seus dirigentes e acionistas históricos.
Uma extensa pesquisa conduzida pelo Dr. Michael Bennett, da Universidade de Sheffield, traz à tona detalhes inéditos sobre o envolvimento do Banco da Inglaterra no tráfico transatlântico de escravos. Segundo o estudo, durante séculos, o banco foi parte de um sistema financeiro que lucrava diretamente com a escravização de milhões de africanos, incluindo até seus próprios diretores e acionistas históricos.
De acordo com a pesquisa, pelo menos 24 diretores do banco, além de outros grandes acionistas, estavam envolvidos com o tráfico de pessoas escravizadas. Ainda segundo Bennet, quatro desses diretores estavam entre as elites londrinas fundadoras do Banco da Inglaterra em 1694. Essa relação de interesses revela que, desde seu nascimento, a instituição financeira esteve intrinsecamente ligada ao sangue e ao lucro derivado do comércio de escravos, fato que ainda não foi confirmado oficialmente por fontes oficiais do próprio banco.
A pesquisa destaca que, na época, ao menos 30 fundadores do banco já recebiam lucros proveniente do comércio de escravizados, incluindo nomes de figuras de destaque da realeza, como William III e Mary II, que detinham ações na Royal African Company. Segundo Bennet, o tráfico de escravos naqueles séculos, longe de ser uma atividade marginal, era altamente lucrativo, com o sistema de seguros surgindo justamente para proteger esses lucros. O estudo afirma que o apoio financeiro do Banco da Inglaterra era essencial para sustentar e expandir esse mercado esclavagista.
O pesquisador apontou ainda que o banco forneceu serviços financeiros à Royal African Company e à South Sea Company, que estavam diretamente envolvidas na exploração e transporte de negros africanos. A declaração de Bennett reforça que toda a riqueza que, nos dias de hoje, ancora o desenvolvimento financeiro da Inglaterra e de sua elite está de alguma forma relacionada ao dinheiro sujo gerado com a escravidão, incluindo investimentos diretos feitos pelos fundadores do próprio banco.
Como exemplo, Bennett cita John Rudge, que foi diretor do Banco da Inglaterra entre 1699 e 1740, além de atuar como governador, acionista e diretor de diversas companhias ligadas ao tráfico. Ainda que essas informações ainda aguardem confirmação de outras fontes, elas ocorrem em um momento de críticas globais às atitudes e à memória histórica de países colonizadores, incluindo o Reino Unido, que recentemente se absteve de votar em uma resolução da ONU que classificava a escravidão como o pior crime contra a humanidade. Com tais revelações, a pressão por uma reparação justa a países africanos e caribenhos tende a crescer, reacendendo debates sobre justiça histórica e moral.
O que sabemos?
- Estudo aponta ligação entre Banco da Inglaterra e tráfico de escravos africanos.
- Pelo menos 24 diretores e grandes acionistas do banco estariam envolvidos com o tráfico.
- Quatro destes dirigentes são entre os fundadores do banco em 1694.
- Fundadores do banco já recebiam lucros do comércio de escravizados, incluindo figuras da realeza.
- O tráfico de escravos na época era extremamente lucrativo e sustentado por serviços financeiros do banco.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada



