Policial

Cidade mais bolsonarista da Amazônia se desmobiliza após denúncia por atos golpistas

Informações checadas ?

Investigações apontam suspeitas de participação em protestos violentos logo após a derrota de Bolsonaro, levando à retração das ações de direita na região.

Adesivagem pró-Bolsonaro em Novo Progresso, Pará, mostra forte apoio à direita na região.
Imagem: Folha de S.Paulo

Novo Progresso, no Pará, tradicional bastião bolsonarista, apresenta sinais de desmobilização após denúncia sigilosa da Polícia Federal apontar suspeitas de envolvimento em atos golpistas. A cidade, que apoiou fortemente Bolsonaro nas eleições de 2022, agora vê suas manifestações diminuir, enquanto investigações avançam.

Na cidade de Novo Progresso, no sul do Pará, o clima político parece estar mudando. Conhecida por sua forte ligação com o bolsonarismo, a cidade, que em 2022 registrou 79,6% dos votos de Jair Bolsonaro no primeiro turno e 82,92% no segundo, parecia alheia às disputas eleitorais que se avizinhavam. No entanto, recentes investigações da Polícia Federal, ainda não confirmadas oficialmente, revelaram uma nova faceta do cenário local. Segundo informações de fonte específica da Polícia Federal, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra nove pessoas suspeitas de participação em atos golpistas ocorridos na cidade e nas regiões próximas logo após o resultado das eleições, que marcou a derrota de Bolsonaro. Apesar de os detalhes do procedimento ainda não terem sido totalmente divulgados, ele foi feito no último dia 24 de agosto, sob sigilo. É importante notar que esses atos considerados violentos na região aconteceram em um momento onde a atividade econômica do município, baseada no garimpo de ouro, exploração de madeira, gado e soja — frequentemente na ilegalidade — estava relativamente tranquila, quase como se não houvesse uma disputa eleitoral em curso. Ainda não há confirmação se esses eventos se vinculam diretamente às manifestações de apoiadores ao ex-presidente, mas a forte presença de manifestações bolsonaristas na região contrastava com a aparente tranquilidade atual. A movimentação no judiciário, que fica a cerca de 1.700 km de distância, parece ter influenciado na desaceleração dessas ações nas ruas. Segundo um analista ouvido pela fonte, a atuação do sistema judicial e o aumento da repressão contribuíram para uma diminuição da mobilização na cidade, considerada o principal bastião bolsonarista na Amazônia. Por outro lado, a própria atividade econômica da cidade, marcada por atividades ilegais, torna-se um vetor de instabilidade e violência, refletindo um contexto de forte polarização e conflito na região. Ainda não há uma confirmação definitiva de que os atos golpistas tenham acontecido na mesma proporção que em outras partes do Brasil, mas a Polícia Federal mantém vigilância para possíveis desdobramentos desse caso. Exatamente por isso, a situação de Novo Progresso continua a ser acompanhada com atenção por especialistas e autoridades, que esperam que a investigação possa esclarecer o papel de cada envolvido e prevenir novas ações violentas na região.

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O que sabemos?

  • Denúncia do procurador-geral ao STF contra nove suspeitos de atos golpistas na cidade, feita em 24 de agosto.
  • Novo Progresso teve 79,6% dos votos para Bolsonaro no primeiro turno de 2022 e 82,92% no segundo turno.
  • Atividades econômicas locais incluem garimpo de ouro, exploração de madeira, gado e soja — muitas na ilegalidade.
  • Investigações ainda não confirmadas oficialmente, a denúncia foi feita sob sigilo pela Polícia Federal.

Fontes

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