Brasileiros escapam de rede de tráfico humano em Madagascar e pedem ajuda para voltar ao país
Grupo de 23 brasileiros foi atraído por falsa oferta de emprego no Camboja e acabou forçado a aplicar golpes em Madagascar
Vítimas relatam ameaças, agressões e terem sido mantidas sem passaportes após detenção pela polícia local; grupo aguarda repatriação e auxílio do Itamaraty para retornar ao Brasil
Um grupo de 23 brasileiros está retido em Antananarivo, capital de Madagascar, após conseguir escapar de uma rede de tráfico humano que operava com falsas promessas de emprego na Ásia. Segundo relatos de um dos sobreviventes, um paulistano de 27 anos que preferiu não se identificar, as vítimas foram inicialmente atraídas por ofertas de trabalho no Camboja divulgadas no Telegram, mas acabaram transferidas para Madagascar, onde foram obrigadas a aplicar golpes financeiros por telefone.
O rapaz descreveu a situação como dramática: “Eu achei que não ia realmente estar vivo, porque, por vários momentos, tive a arma apontada para mim. Estavam vendendo a gente.” De acordo com ele, a organização criminosa era comandada por chineses e impunha pressão psicológica, além de ameaças e agressões físicas contra o grupo enquanto tentavam fugir.
A polícia local deteve os brasileiros em 19 de agosto, mas mesmo após a detenção, não houve proteção integral aos estrangeiros, que permaneceram sob condições precárias e sem seus passaportes, documentos que ficaram em posse das autoridades locais. Sem dinheiro para comprar passagens aéreas, o grupo depende da ajuda de voluntários para se manter enquanto busca retorno ao Brasil.
Em 29 de agosto, os membros do grupo encaminharam um e-mail ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o Itamaraty, solicitando repatriação, a salvaguarda dos passaportes e assistência consular. Em resposta, a pasta afirmou que o recurso solicitado é excepcional, e que presta o atendimento consular cabível às vítimas. No entanto, até o momento, não foram divulgados detalhes de medidas concretas para viabilizar o retorno imediato dos brasileiros.
O caso alerta para um tipo de crime que ainda não é amplamente conhecido pelo público em geral: o tráfico humano associado a golpes financeiros mediados por redes criminosas internacionais. As vítimas em Madagascar vêm de diferentes estados do Brasil, e a situação expõe a vulnerabilidade de cidadãos brasileiros diante de promessas enganosas de emprego no exterior, que podem resultar em exploração e riscos à integridade física.
O que sabemos?
- Um grupo de 23 brasileiros foi vítima de tráfico humano e golpes financeiros após ser atraído por falsas ofertas de emprego no Camboja.
- Eles foram transferidos para Madagascar e forçados a aplicar golpes por telefone.
- O grupo foi detido pela polícia local em 19 de agosto e sofreu ameaças e agressões.
- Em 29 de agosto, enviaram pedido de repatriação ao Itamaraty, que declarou prestar assistência consular, mas classificou o recurso como excepcional.
Fontes
- G1 imprensa





