Advogado cria cartel para fraudar cantinas em presídios do RJ enquanto estava preso
Operação Snack Time mira 22 réus denunciados pelo MPRJ por esquema que durou quase uma década
Segundo o Ministério Público do Rio, o advogado Leandro Rodrigues Mendonça concebeu o cartel das cantinas durante cumprimento de pena, e o grupo causou prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos entre 2015 e 2024.
Um esquema de fraude envolvendo as cantinas dos presídios do Rio de Janeiro foi descoberto em uma nova fase da Operação Snack Time. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o cartel foi criado pelo advogado Leandro Rodrigues Mendonça enquanto ele cumpria pena por fraude no seguro DPVAT. Após sua soltura, o esquema foi colocado em prática e controlou licitações dessas cantinas por quase dez anos, entre 2015 e 2024.
Leandro Rodrigues Mendonça, conforme as investigações do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), idealizou o cartel dentro do sistema prisional. Junto com outro advogado, Alexandre Costa da Silva, ele está entre os 22 denunciados tornados réus nesta terça-feira (1º) pela Justiça, em desdobramento da Snack Time. Eles respondem por organização criminosa e fraude em licitações.
De acordo com o MPRJ, o grupo atuou eliminando concorrentes e controlando as licitações das cantinas que funcionavam dentro dos presídios estaduais. Em um dos episódios, os investigados chegaram a vencer 38 de 40 lotes disputados, segundo levantamentos citados pelo G1. O esquema acabou causando um prejuízo estimado em mais de R$ 25 milhões aos cofres públicos.
O sistema de cantinas das unidades prisionais foi encerrado em 2024 e passou a ser gerido por compras feitas por meio da internet. A Justiça aceitou a denúncia ofertada pelo MPRJ, mas as defesas dos denunciados ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso. Também aguardam-se novos detalhes do processo e outras fontes para complementar as informações divulgadas.
Essa investigação mostra como o controle ilegal sobre serviços dentro dos presídios pode gerar prejuízos significativos ao erário público e desafiar os mecanismos de fiscalização, principalmente quando promovido por pessoas com conhecimento jurídico e acesso ao sistema prisional. O caso reforça a importância de operações como a Snack Time para desarticular esquemas criminosos complexos ligados à administração penitenciária.
O que sabemos?
- O advogado Leandro Rodrigues Mendonça criou o cartel durante o cumprimento de pena por fraude no DPVAT.
- O esquema funcionou entre 2015 e 2024, manipulando licitações das cantinas nos presídios do RJ.
- 22 pessoas foram denunciadas e se tornaram réus por organização criminosa e fraude em licitação.
- O cartel causou prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos, e o sistema de cantinas foi encerrado em 2024.
Fontes
- G1 imprensa



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