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Resgates no Nepal após enchentes e deslizamentos potencialmente causados por derretimento de geleiras

Em apuração ?

Equipes de resgate encontram sobreviventes e vítimas em regiões afetadas por desastre natural semelhante ao colapso de uma geleira

Equipes de resgate trabalhando em áreas afetadas por enchentes no Nepal
Imagem: Folha de S.Paulo

Após uma enxurrada que destruiu vales no Himalaia, equipes de resgate nepalesas, com apoio internacional, encontraram sobreviventes e cadáveres em túneis de usinas hidrelétricas. Ainda há muitas pessoas desaparecidas.

Equipes de resgate no Nepal continuam seus esforços para localizar sobreviventes e vítimas após uma forte enchente provocada por um colapso de geleira, que destruiu várias regiões do Himalaia. Segundo informações divulgadas por um porta-voz do Exército nepalês, no sábado (5), um homem chinês foi resgatado de um túnel na área do projeto hidrelétrico Alto Trishuli-1, onde estava preso desde o deslizamento ocorrido em 26 de agosto. A operação envolveu equipes locais e apoio de especialistas de países como China, Índia e Coreia do Sul.

Na mesma data, também foi resgatada uma mulher nepalesa de 64 anos, soterrada em sua casa atingida por lama no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu. Ela foi levada de helicóptero para tratamento na capital, de acordo com o vice-superintendente de polícia Iqbal Hawari. Imagens mostram os escombros de sua residência completamente inundados por lama e água, reforçando a extensão do desastre em áreas residenciais próximas às instalações de usinas.

Outro foco dos esforços de resgate foram os túneis na região de Trishuli, onde, na sexta-feira (4), duas pessoas foram encontradas com vida após ficarem presas por quase uma semana. Entre os resgatados estavam Sanjay Shah, de 30 anos, responsável pela mecânica na usina, e Kabir Maharjan, de 45 anos, supervisor. Ambos foram levados para um hospital em Katmandu. Shah contou que conseguiu manter contato com outros colegas e que, para se manter esperançoso, entoou um mantra hindu durante o período preso, demonstrando o impacto psicológico do episódio.

Estima-se que cerca de cem trabalhadores possam estar presos nos túneis da região, que servem a instalações de usinas hidrelétricas e barragens ainda em construção. Até o momento, socorristas localizaram alguns corpos, mas muitas pessoas continuam desaparecidas, conforme balanços não oficiais. As autoridades destacaram que a tragédia causou a morte de mais de 1.300 pessoas na região, com a polícia do Nepal registrando 1.287 vítimas até o momento, enquanto a imprensa estatal chinesa aponta 31 mortes do lado do Tibete. Além disso, mais de 5.000 pessoas estão desaparecidas, entre elas mais de 900 funcionários de usinas hidrelétricas nepalesas, segundo informações preliminares.

A origem do desastre, atribuída a uma potencial ruptura de geleira, ainda não foi oficialmente confirmada e continua sendo objeto de investigação. O fenômeno destrutivo, que afetou vales da fronteira entre Nepal e China, resultou também na retirada de moradores e trabalhadores de áreas próximas às instalações de infraestrutura em construção, cuja vulnerabilidade foi intensificada pelas condições extremas de frio e lama acumulada. O incidente alerta para os riscos ambientais do aquecimento global na região do Himalaia, onde o derretimento de geleiras pode estar contribuindo para eventos de deslizamento e enchentes de grande escala — uma hipótese ainda não totalmente confirmada, mas que vem sendo estudada por especialistas.

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O que sabemos?

  • Resgate de um homem chinês preso desde 26 de agosto em túnel no Nepal.
  • Resgate de uma mulher nepalesa de 64 anos soterrada por lama.
  • Dois trabalhadores resgatados com vida após ficarem presos por quase uma semana em túneis de usinas hidrelétricas.
  • Mais de 1.300 mortos na região, segundo balanços preliminares.
  • Mais de 5.000 pessoas estão desaparecidas, incluindo trabalhadores de usinas hidrelétricas.

Fontes

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