Pesquisas mostram uso de roupas com cobre por pinguins no Chile durante recuperação de ferimentos
Inovação na reabilitação de aves marinhas vulneráveis utiliza fibras antibacterianas em coletes feitos sob medida
Pinguins-de-Humboldt no Chile passaram a usar coletes com fibras de cobre e zinco para acelerar a cura de ferimentos. A iniciativa, ainda em testes, busca replicar técnicas usadas em animais domésticos.
Recentemente, uma abordagem inovadora na recuperação de pinguins feridos no Chile chamou a atenção de especialistas e ambientalistas. Segundo informações divulgadas pela Revista Galileu, pinguins-de-Humboldt (Spheniscus humboldti), uma espécie considerada vulnerável, estão sendo tratados com uma novidade: pequenos coletes feitos sob medida com fibras contendo cobre e zinco. Essa técnica, ainda em fase de testes, tem o objetivo de proteger as feridas desses animais e acelerar o processo de cicatrização.
De acordo com o diretor do Buin Zoo, parque de vida selvagem situado nos arredores de Santiago, Ignacio Idalsoaga, essa ideia surgiu ao perceber que técnicas aplicadas em cães e gatos, onde fibras contendo cobre e zinco são utilizadas há anos, apresentaram bons resultados na recuperação de feridas na pele. "Começamos a nos perguntar: por que isso não pode ser usado em pinguins?", afirmou Idalsoaga à Associated Press. Para isso, primeiro foram tomadas medidas dos animais no zoológico, garantindo que os coletes se ajustassem corretamente ao corpo dos pinguins, além de cumprir uma função prática fundamental: impedir que eles alcancem com o bico as feridas, que poderiam piorar ou ser arrancadas.
Segundo informações de Tomás Pino, veterinário responsável pela organização Conservación Humboldt, que trabalha na recuperação de aves marinhas feridas na região norte do Chile, os testes têm mostrado sinais promissores. Ele afirmou que, com o uso do colete, foi possível perceber uma melhora no estado das feridas de um dia para o outro. Os ferimentos mais comuns entre os pinguins atendidos incluem cortes provocados por redes de pesca ou hélices de embarcações, além de animais debilitados pela escassez de alimento, agravada pelas mudanças ambientais, como o fenômeno do El Niño, que aquece de forma incomum partes do Oceano Pacífico. Essas condições dificultam que os peixes, principal alimento desses animais, estejam disponíveis na quantidade necessária, obrigando os pinguins a percorrerem maiores distâncias em busca de comida, o que aumenta a vulnerabilidade. Segundo Idalsoaga, há uma preocupação de que, com o agravamento dessas condições, mais filhotes possam ser encontrados feridos ou abandonados, podendo se beneficiar dessa nova ferramenta de recuperação.
Importante destacar que a reprodução do pinguim-de-Humboldt vem apresentando sinais de declínio. Levantamentos indicam que, em 2024 e 2025, houve uma redução de aproximadamente 63% no número de ninhos ativos em coloniais do país, apontando uma séria ameaça à sobrevivência da espécie. Além de fatores ambientais, as aves enfrentam o emaranhamento em redes de pesca, a poluição por plástico e surtos de doenças. Ainda não há confirmação oficial, mas a iniciativa com os coletes de cobre e zinco representa uma tentativa de mitigar esses riscos, proporcionando uma recuperação mais rápida e eficaz para os pinguins feridos.
O que sabemos?
- Pinguins-de-Humboldt no Chile estão usando coletes feitos com fibras de cobre e zinco.
- O uso dos coletes busca acelerar a cicatrização e impedir que os pinguins alcancem os ferimentos com o bico.
- A técnica é inspirada em tratamentos usados em cães e gatos há anos.
- Primeiros testes indicam melhora no estado das feridas de um dia para o outro.
- A espécie enfrenta declínio na reprodução, com queda de até 63% no número de ninhos ativos nos últimos anos.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada



