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Performance de Marina Abramović em Londres remete aos limites entre arte, dor e vulnerabilidade

Em apuração ?

Obra ‘Ritmo 0’ envolve objetos que provocam tanto prazer quanto dor, colocando público e artista em situação de alta tensão emocional e física

Registro da performance ‘Ritmo 0’ de Marina Abramović na Royal Academy, London
Imagem: Aventuras na História

A exposição na Royal Academy apresenta registros da performance de 1974, na qual a artista sérvia colocou-se como objeto perante espectadores. A instalação inclui objetos que podem causar dor ou prazer, testando os limites de comportamento e resistência.

Uma performance artística que remete aos limites entre o controle, a vulnerabilidade e as emoções humanas tem chamado atenção na Royal Academy, em Londres. Trata-se de ‘Ritmo 0’, uma obra criada pela artista sérvia Marina Abramović na década de 1970, que voltou a ser exibida com registros de sua realização original na Itália, em 1974. Segundo informações divulgadas, a instalação apresenta uma mesa coberta por um pano branco, com 69 objetos dispostos sobre ela, incluindo itens que remetem ao prazer e ao cuidado, como uma rosa, uma vela, um espelho, uma escova de cabelo, um batom, além de instrumentos que podem provocar dor, como correntes, machado, serra, facas afiadas e uma arma com uma bala. Ainda de acordo com a fonte, o experimento foi realizado ao longo de seis horas, durante as quais Abramović afirmou que se colocaria como um objeto na experiência, permitindo que os espectadores utilizassem livremente os itens sobre seu corpo.

Durante a apresentação, inicialmente pregada na passividade, a situação se transformou à medida que o público começou a manipular os objetos de forma mais agressiva ou íntima. Fotografias e registros mostram homens tocando e rasgando suas roupas, colocando facas entre suas pernas ou até mesmo prendendo um pedaço de papel com a palavra “VIL” na artista. Abramović, que permaneceu imóvel e vulnerável, chegou a cometer lágrimas durante a ação, simbolizando a intensidade emocional de toda a performance. Segundo a mesma, a obra faz parte de uma série que explora temas como controle, disciplina e violência, influenciados também pela infância na Iugoslávia do pós-guerra, onde seus pais ocupavam posições importantes no governo socialista.

A performance, além de questionar os limites entre artista e público, também aborda questões sobre a vulnerabilidade da mulher em uma cultura considerada misógina. Depois de décadas, ‘Ritmo 0’ permanece como uma obra provocativa, que põe em cheque o que é arte, até onde chega o sofrimento e qual o papel do espectador em uma experiência de alta vulnerabilidade física e emocional. Recentemente, a obra foi trazida de volta ao público na exposição na Royal Academy, onde é exibida por meio dos objetos e registros históricos, marcando também a primeira vez que essa exposição individual ocorreu na instituição desde sua fundação, em 1768.

Segundo ainda não confirmado oficialmente, fontes indicam que essa reexibição reacende debates sobre os limites da arte que usa o corpo como instrumento, além de reforçar a importância de Abramović como uma pioneira nesse campo. A artista, que na década de 1970 já era vista por muitos como uma pioneira provocadora, lembra que na época era frequentemente considerada louca, e sua produção artística era desacreditada. Agora, seu legado é reconhecido, embora questões sobre até onde a arte deve sofrer ou provocar permaneçam em aberto, especialmente quando envolvem o próprio corpo e a vulnerabilidade humana.

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O que sabemos?

  • Performance de Marina Abramović em 1974 na Itália
  • Obra denominada ‘Ritmo 0’ apresenta 69 objetos sobre uma mesa
  • A instalação inclui objetos de prazer e dor, como rosas, velas, facas e arma
  • Performance durou seis horas, com manipulação progressiva pelo público
  • Abramović afirmou que se colocou como objeto na experiência

Fontes

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