ONU aprova novo mapa-múndi que valoriza a dimensão real da África
Mudança no padrão de representação cartográfica pode impactar interpretações globais e educacionais.
A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que incentiva a adoção de um mapa que reflete com mais fidelidade o tamanho da África, quebrando o monopólio do antigo mapa de Mercator, criado no século 16.
Na última sexta-feira (4), a Assembleia Geral das Nações Unidas promoveu uma mudança importante na forma como o mundo é representado cartograficamente. Com a aprovação de uma resolução, 164 nações apoiaram a proposta de substituir o clássico mapa-múndi de Mercator, amplamente utilizado hoje em escolas, mapas digitais e materiais educativos, por uma nova representação que valorize o tamanho real dos continentes, especialmente a África. Segundo fontes confiáveis, essa decisão ainda não é obrigatória, mas deve influenciar uma série de instituições ao redor do mundo, alterando a forma como visualizamos nosso planeta.
O mapa de Mercator, criado pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator em 1569, foi projetado para facilitar a navegação marítima. No entanto, ao transformar a esfera terrestre em uma superfície plana, ele introduz distorções gravemente prejudiciais à percepção correta do tamanho das regiões. Em específico, países próximos aos polos, como a Groenlândia, parecem do mesmo tamanho ou maiores do que a África, que na realidade é cerca de 14 vezes maior. Essa distorção levou a uma minimização das dimensões e, por consequência, à subestimação do potencial e da importância de países próximos à Linha do Equador, além de influenciar percepções sobre recursos naturais, populações e potencial econômico.
Segundo informações obtidas junto à BBC News Brasil, a iniciativa de renovar o padrão cartográfico foi liderada pelo Togo e apoiada pelos membros da União Africana, que vêm há anos debatendo a necessidade de uma imagem mais fiel da África, frequentemente subrepresentada nas projeções tradicionais. Ainda de acordo com essa fonte, a aprovação da ONU é um passo simbólico, não vinculante, mas que pode acelerar a adoção de mapas de áreas iguais, como o projeto Equal Earth, criado em 2018 para retratar os continentes de modo proporcional.
Entender essas mudanças é importante, pois refletem uma discussão mais ampla sobre representação, percepção e acesso à informação. A alteração no mapa pode impactar, por exemplo, sistemas de educação, jogos didáticos, aplicativos digitais e até notícias internacionais. A preocupação dos especialistas é que a projeção de Mercator, apesar de útil para navegação, perpetua uma visão distorcida do mundo, e que uma mudança ajudará na luta contra preconceitos geográficos e econômicos. Ainda não há confirmação se todos os países ou instituições de ensino irão adotar oficialmente o novo mapa, mas o fato é que a questão ganhou força globalmente, forçando uma reflexão sobre como vemos o planeta em que vivemos.
O que sabemos?
- A ONU aprovou uma resolução para incentivar a adoção de um novo mapa-múndi mais fiel às proporções reais.
- A decisão contou com 164 votos a favor e foi liderada pelo Togo, apoiada pela União Africana.
- O mapa de Mercator, criado em 1569, apresenta distorções que minimizam o tamanho da África e de outros continentes.
- A nova projeção, como o projeto Equal Earth, busca representar proporcionalmente os continentes, incluindo a África, de forma mais precisa.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- G1 imprensa




