Mistério das múmias de Venzone desperta interesse de pesquisadores na Itália
Corpos preservados naturalmente há séculos desafiam explicações científicas tradicionais
Ao abrir caixões antigos em 1647, moradores encontraram múmias com pele e feições preservadas, fenômeno que ainda intriga estudiosos. A descoberta reforça histórias de preservação natural de corpos na história europeia.
Na cidade italiana de Venzone, localizada na região de Friuli-Venezia Giulia, um mistério antigo voltou ao centro das atenções após uma descoberta que chocou a comunidade local e pesquisadores históricos. Segundo informações divulgadas pela revista Aventuras na História, em 1647, durante obras de reconstrução na capela de San Michele, os trabalhadores abriram caixões que estavam no subsolo do espaço. Inicialmente, esperavam encontrar apenas esqueletos, dado o tempo decorrido — cerca de três séculos desde os enterros. No entanto, de forma surpreendente, encontraram corpos com pele, feições e até expressões faciais ainda reconhecíveis, além de roupas desidratadas. Os corpos, que não foram embalsamados deliberadamente, apresentaram-se como exemplos de mumificação natural, resultado das condições ambientais específicas da região, próxima aos Alpes Cárnicos, que teria favorecido a preservação dos cadáveres.
Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, a cidade de Venzone ocupava uma rota comercial importante entre o litoral do Adriático e a Europa Central durante a Idade Média. Como muitas outras cidades europeias, foi duramente afetada pela Peste Negra, que começou em 1348 e provocou tantas mortes que os espaços de sepultamento ficaram sobrecarregados. Por isso, corpos que não cabiam nos cemitérios foram enterrados em caixões no subsolo de uma capela próxima à catedral, sob um espaço considerado temporário na época. Com o passar dos séculos, e por fatores como guerras e mudanças políticas, esses caixões permaneciam intactos até serem descobertos.
Entre os corpos encontrados, um identificado posteriormente como o “Corcunda de Venzone” chamou a atenção por sua curvatura acentuada na coluna, enquanto outros corpos apresentavam peso extremamente baixo, chegando a apenas 10 a 20 quilos. Ainda segundo a fonte, a comunidade local tratava as múmias com respeito, considerando que eram antepassados preservados por uma intervenção divina, e muitas vezes eram exibidas em eventos religiosos e civis, com moradores chegando a cumprimentá-las ou tirar o chapéu ao passar por elas. A partir do século XVIII, as múmias começaram a despertar interesse de pesquisadores que as levaram para instituições como a Universidade de Pádua e o Museu de Viena, onde estudos detalhados revelaram a leveza dos corpos e a preservação parcial dos órgãos internos. Uma hipótese, ainda não confirmada, sugere que um fungo chamado Hypha bombycina poderia ter desempenhado papel fundamental na mumificação natural, ao absorver a umidade dos cadáveres e retardar a decomposição — teoria que, segundo a fonte, ainda requer mais investigação.
Por enquanto, não há confirmação oficial de que essa hipótese seja definitiva e o fenômeno, embora intrigante, permanece como um mistério que aguarda estudos adicionais. A descoberta das múmias em Venzone continua sendo um dos casos mais curiosos envolvendo preservação natural de corpos na história da humanidade, despertando o interesse de cientistas e amantes de história. Ainda não se sabia ao certo se esses cadáveres representam um fenômeno único ou uma combinação de fatores ambientais que, por séculos, protegeram esses corpos de decomposição normalmente esperada. Assim, o caso permanece como uma pista fascinante para futuras pesquisas sobre processos naturais de mumificação.
O que sabemos?
- As múmias foram encontradas em 1647 na capela de San Michele, em Venzone.
- Os corpos estavam enterrados em caixões no subsolo, desde o século XVII.
- Alguns corpos apresentavam pele preservada e feições reconhecíveis.
- Pesquisadores sugerem que um fungo poderia explicar a mumificação natural, ainda sem confirmação oficial.
- O fenômeno remete a condições ambientais específicas próximas aos Alpes Cárnicos.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





