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México desmilitariza escolas e reaviva debate sobre educação e valores militares

Em apuração ?

Mudança na rotina escolar atinge centenas de instituições após incidente envolvendo jovem de 13 anos

Estudantes mexicanos em uniforme civil, com símbolo nacional ao fundo
Imagem: BBC News Brasil

A partir de uma ordem do governo mexicano, escolas com ensino inspirado na disciplina militar estão passando por desmilitarização. Caso da jovem Dafne Zapata, que morreu em acampamento militar, foi determinante na decisão.

Na Cidade do México, estudantes do Colégio Moderno Alarid cantam saudação ao seu diretor, Óscar Lira, mesmo que a orientação oficial seja eliminar referências militares do ambiente escolar. Segundo a fonte consultada, a escola, que tinha uma estética e rotinas inspiradas no mundo militar, está agora se adaptando a uma nova orientação do governo mexicano, que ordenou a desmilitarização de escolas semelhantes do país.

De acordo com o próprio Óscar Lira, que é arquiteto, integrante de uma família de militares, e ex-aluno do colégio, essa mudança ocorre em resposta a uma ordem da Secretaria de Educação Pública do México (SEP), emitida ainda em julho. A orientação visa retirar das instituições escolares qualquer elemento que remeta ao militarismo, argumentando que a educação militar não possui respaldo legal e que a formação militar é exclusiva das Forças Armadas mexicanas.

A medida foi intensificada após a morte de Dafne Zapata, de 13 anos, ocorrida em um acampamento de verão militar no Estado de Tamaulipas. Segundo a autópsia, a causa do falecimento foi por asfixia por submersão, e a família da jovem denuncia supostos atos de tortura, enquanto a promotoria investiga o caso, incluindo a possibilidade de feminicídio. Três pessoas estão detidas até o momento, segundo informações não confirmadas oficialmente.

Como consequência, dezenas de escolas, entre 20 e 50, que tinham forte influência militar, estão passando por uma transformação, que inclui o abandono das rotinas rígidas, uniformes militares e símbolos como escudos e bandeiras. Algumas, contudo, relato-se que enfrentaram forte resistência de pais e comunidades. Na cidade de Puebla, por exemplo, o bloqueio de avenidas por pais que defendem a continuidade do modelo militarizado foi noticiado como uma manifestação contrária às mudanças. Lá, a Escola Zaragoza, que atende a mais de 50 estudantes, ficou no centro de controvérsias, com membros da comunidade alegando que a escola oferecia disciplina e valores, sem denúncias de maus-tratos.

Apesar de oficialmente a cultura militar estar sendo deixada para trás na educação mexicana, fontes indicam que a presença de elementos do universo militar ainda é visível na cultura do país, refletindo uma ligação histórica profunda. Óscar Lira afirmou que, embora queira eliminar símbolos militaristas, pretende preservar valores universais, como honra, disciplina e sacrifício, que podem ser aprendidos de modo civilizado. Ainda não há confirmação sobre a proporção exata de escolas fechadas ou realmente desmilitarizadas, assim como o impacto dessa mudança na rotina das instituições e na formação dos estudantes.

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O que sabemos?

  • Governo mexicano ordenou a desmilitarização de escolas inspiradas na disciplina militar.
  • Casos de resistência em escolas como a de Puebla, com bloqueios por pais.
  • Morte de garota de 13 anos em acampamento militar foi fator que motivou a decisão.
  • Dezenas de escolas tiveram rotinas anteriores influenciadas por valores militares

Fontes

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