Descoberta de ossos de ave pré-histórica na Austrália revela nova espécie há 105 milhões de anos
Achados arqueológicos em Queensland ampliam o entendimento da diversidade de aves no período Cretáceo
Dois fósseis de aves do Cretáceo, encontrados em locais distintos perto de Richmond, na Austrália, indicam uma nova espécie que viveu há cerca de 105 milhões de anos. A descoberta reforça o conhecimento sobre a biodiversidade do passado australiano.
Em uma descoberta que promete ampliar o conhecimento sobre a vida na Terra há mais de um século, dois fósseis de aves do período Cretáceo foram encontrados na Austrália, mais precisamente na região de Richmond, em Queensland. Segundo informações divulgadas pela publicação especializada Journal of Vertebrate Paleontology, esses ossos revelaram uma espécie até então desconhecida, que viveu aproximadamente há 105 milhões de anos. O achado é especialmente relevante por tratar-se de raríssimos fósseis de aves desse período na Austrália, onde menos de uma dúzia de ossos isolados já haviam sido registrados até hoje.
O primeiro fóssil foi descoberto por Kevin Petersen, um ex-curador do Kronosaurus Korner, enquanto ele buscava fósseis em uma área de coleta pública. Segundo Petersen, o osso estava em uma camada repleta de restos de peixes e dentes de predadores marinhos, como plesiossauros e ictiossauros. Uma semana após essa primeira descoberta, uma chuva facilitou uma nova busca, e Petersen encontrou outra peça em uma laje de pedra. Ambas as peças foram fotografadas e enviadas ao paleontólogo Matt White, da Universidade da Nova Inglaterra, que reconheceu imediatamente tratar-se de ossos de ave.
De acordo com o próprio paleontólogo, “esses espécimes são especialmente significativos porque muito poucos foram encontrados na Austrália, e nenhum deles era diretamente comparável até então”. A análise mostrou que um dos ossos era o tarsometatarso, uma estrutura formada pela fusão dos ossos do pé das aves, enquanto o outro era um tibiotarso, ossos da perna. Como estavam parcialmente envolvidos por concreção, ou seja, uma espécie de rocha cimentada, os fósseis ainda não foram totalmente retirados da rocha para análise detalhada. Os materiais foram posteriormente escaneados na Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear (ANSTO), pelo cientista Joseph Bevitt, que criou modelos tridimensionais das estruturas, possibilitando uma comparação precisa com espécies conhecidas.
Essas análises levaram à identificação de uma nova espécie, batizada como Tenuicruris piscanexum, que pertence ao grupo Enantiornithes — um ramo de aves que existiram até o final do período Cretáceo. O nome faz referência às pernas delgadas do animal, já que “Tenuicruris” significa algo como “pernas finas”, enquanto “piscanexum” relaciona a espécie ao ambiente rico em peixes onde foram encontrados os fósseis. A descoberta, portanto, não só aumenta a lista de aves formalmente reconhecidas na paleontologia australiana, que atualmente conta com Nanantius eos, descrita em 1986, mas também amplia o entendimento sobre a diversidade e a paleoecologia da antiga Formação Toolebuc do Rio de Janeiro, que preserva uma rica variedade de fósseis marinhos e de outros animals do Cretáceo médio.
O paleontólogo Dean Lomax, da Universidade de Bristol, também acompanhou de perto as análises e destacou a importância do achado. Ainda que sejam ossos isolados, esses fósseis representam uma das raras evidências de aves do período na Austrália, reforçando o potencial da região para revelar novos detalhes sobre a história da vida no planeta. Segundo Lomax, “embora esses restos ainda sejam fragmentados, eles representam uma janela única para entender a antiga biodiversidade do que hoje é a região de Richmond”. Essa descoberta reforça a ideia de que os ecossistemas marinhos do Cretáceo na Austrália eram diversos e complexos, com espécies adaptadas a ambientes ricos em peixes e outros predadores marinhos, um cenário que ajuda a entender a evolução das aves e sua presença na história natural do continente.
O que sabemos?
- Dois fósseis de aves do Cretáceo foram encontrados perto de Richmond, Queensland.
- As peças revelaram uma nova espécie, Tenuicruris piscanexum, há cerca de 105 milhões de anos.
- Os fósseis incluem um tarsometatarso e um tibiotarso parcialmente envoltos por concreção.
- A descoberta aumenta o número de espécies de aves do Cretáceo formalmente conhecidas na Austrália.
- Os fósseis foram escaneados na ANSTO e comparados com espécies existentes por paleontólogos.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





