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A expansão do contrabando e a diplomacia argentina diante do governo Milei

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A abertura econômica na Argentina impulsiona importações ilegais enquanto a maioria política rejeita posições de Milei em relação ao Brasil

Fronteira entre Argentina e Paraguai com caminhões cruzando
Imagem: Folha de S.Paulo

Com a flexibilização econômica promovida pelo presidente Javier Milei, o contrabando cresce na Argentina, afetando mercados locais de bebidas, roupas e eletrônicos. Paralelamente, uma delegação liderada por deputado Nicolás Massot busca dissociar a maioria política argentina das declarações polêmicas de Milei contra Lula.

O crescimento do contrabando na Argentina tem mostrado sinais preocupantes desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo em 2023, impulsionando uma abertura econômica que facilitou a entrada ilegal de produtos no país. Segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo, importações ilegais de uísque, roupas e celulares se multiplicaram, principalmente nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. Caminhões cruzam barreiras alfandegárias com milhares de garrafas térmicas e latas das cervejas Corona e Sol rumo à província de Formosa, na fronteira com o Paraguai. Na província de Salta, próxima à Bolívia, outro caminhão foi flagrado transportando 17 mil cigarros contrabandeados.

Além disso, influenciadores têm exibido jaquetas impermeáveis falsificadas da Columbia, vendidas no mercado argentino e que, segundo relatos apurados, chegam ao país por navios porta-contêineres. Entidades empresariais estimam que até 40% das cervejas e 30% dos pneus comercializados na Argentina são provenientes do contrabando, enquanto a participação de celulares importados ilegalmente saltou de 7% antes de Milei para mais de um terço atualmente, conforme estimativas de uma associação do setor. O diretor de uma grande importadora que distribui marcas globais de calçados, que preferiu não se identificar, declarou à Folha: “Nunca na minha vida vi tanta coisa desse tipo”.

No campo político, apesar da postura radical do presidente Milei, especialmente em suas declarações dirigidas ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último mês, uma posição minoritária é imputada a ele por grande parte da classe política argentina. O deputado Nicolás Massot, que representa a província de Buenos Aires, assumiu a liderança de uma delegação pluripartidária que planeja visitar Brasília para deixar claro que a maioria dos políticos argentinos discorda e repudia as falas de Milei. Segundo uma funcionária do Itamaraty, uma reunião com integrantes dessa delegação ainda precisa ser confirmada oficialmente pela pasta.

Segundo explicou Massot à Folha de seu escritório em Buenos Aires, os parlamentares buscam reforçar que a representação política argentina em peso não compactua com as declarações do presidente e deseja preservar as relações bilaterais entre os dois países. A combinação desses fatos — a abertura econômica de Milei, o crescimento do contrabando e as tensões diplomáticas — mostra um cenário complexo para a Argentina, cujas consequências econômicas e políticas ainda se desdobram, impactando diretamente consumidores, empresas e a imagem do país no exterior.

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O que sabemos?

  • Contrabando cresce na Argentina após abertura econômica promovida pelo presidente Javier Milei a partir de 2023.
  • Principais produtos contrabandeados incluem uísque, roupas, celulares, cervejas e cigarros, com rotas pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia.
  • Entidades empresariais e associações do setor estimam que significativa parcela do mercado argentino, como cervejas, pneus e celulares, seja composta por produtos contrabandeados.
  • Deputado Nicolás Massot, representante da província de Buenos Aires, lidera delegação pluripartidária que pretende visitar Brasília para expressar que a maioria dos políticos argentinos repudia as declarações do presidente Milei dirigidas ao presidente Lula.
  • Reunião com o Itamaraty ainda está pendente de confirmação oficial.

Fontes

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