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Como a 'advogada dos milagres' virou sinônimo de fraude em imigração nos EUA

Em apuração ?

O caso de Isidro Mendoza expõe o drama de milhares de imigrantes que confiaram em falsas promessas legais

Isidro Mendoza Jiménez falando à imprensa em Cidade do México
Imagem: BBC News Brasil

Isidro Mendoza, deportado dos EUA após pagar US$ 19 mil por serviços da ex-advogada Alexandra Lozano Kennedy, denuncia esquema que pode ter prejudicado até 54 mil clientes. Especialistas alertam para aumento das fraudes no setor migratório americano.

Isidro Mendoza Jiménez vive um pesadelo que parecia improvável para quem buscava uma vida estável. Natural do Estado de Oaxaca, no México, ele passou quase 40 anos nos Estados Unidos sem documentos e criou seis filhos no país. Porém, após contratar Alexandra Lozano Kennedy, conhecida como a "advogada dos milagres", e pagar US$ 19 mil (aproximadamente R$ 95,5 mil), foi deportado e retornou à Cidade do México em abril, frustrado e sem endereço legal nos EUA. "A expectativa era de que eu finalmente poderia ficar bem nos Estados Unidos, com residência legal e uma autorização de trabalho, mas acontece que estou aqui, deportado", relatou Mendoza à BBC News Mundo.

Alexandra Lozano Kennedy projetou-se nas redes sociais como uma solucionadora capaz de legalizar situações migratórias complexas nos Estados Unidos. Contudo, ela foi obrigada a entregar sua licença para exercer a advocacia no Estado de Washington e a fechar seus escritórios. O impacto sobre seus clientes é gigantesco: especialistas estimam que até 54 mil pessoas estejam em um limbo jurídico desde que o processo contra ela se tornou público. Mendoza é um dos integrantes de duas ações coletivas movidas contra a ex-advogada, que nega ter cometido fraude.

Para especialistas consultados, o episódio da "advogada dos milagres" é o maior escândalo recente envolvendo suposta fraude em imigração nos EUA. Daniel Sharp, chefe do Escritório de Assuntos de Imigrantes do Condado de Los Angeles, na Califórnia, comentou que o caso revela algo mais amplo: "Estamos diante de um cenário sem precedentes, com uma comunidade mais vulnerável e desesperada do que nunca diante da pressão da política migratória do governo de Donald Trump, e com golpistas cada vez mais sofisticados". O risco não é apenas o de ser vítima de falsas promessas, mas de ficar completamente sem amparo jurídico.

O uso de consultores, notários e pessoas que se apresentam como advogados, mas não possuem licença, tem crescido nos EUA, especialmente entre imigrantes que enfrentam dificuldades para entender procedimentos legais e não têm acesso a serviços jurídicos qualificados. Essas práticas são fraudulentas e podem agravar situações legais, como tem ocorrido no caso que envolve a ex-advogada Lozano Kennedy.

Até o momento, as informações sobre o processo contra a ex-advogada e o impacto na clientela vêm da BBC News Brasil, e ainda não há confirmação oficial de outras fontes. Entretanto, o caso já expôs uma vulnerabilidade grave da comunidade migrante, refletindo não apenas no aspecto jurídico, mas também humanitário, ao separar famílias e prolongar incertezas. O episódio serve de alerta para imigrantes que buscam regularizar sua situação nos EUA: a necessidade de verificar a autenticidade e credibilidade dos profissionais jurídicos é vital para evitar prejuízos, perdas financeiras e até a deportação.

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O que sabemos?

  • Isidro Mendoza pagou US$ 19 mil para regularizar sua situação migratória.
  • Alexandra Lozano Kennedy foi proibida de advogar e fechou seus escritórios no Estado de Washington.
  • Estima-se que até 54 mil clientes estejam afetados pela ação contra a ex-advogada.
  • Especialistas alertam para o aumento de fraudes jurídicas no setor de imigração nos EUA.

Fontes

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