Estudos revelam possíveis intenções sensoriais em antigos túmulos etruscos da Itália
Investigação mostra como construções podem ter sido planejadas para moldar emoções durante rituais funerários
Pesquisadores analisaram duas tumbas etruscas no século V a.C., descobrindo que suas configurações acústicas e luminosas podem ter sido deliberadas para influenciar os sentimentos dos presentes.
Recentemente, uma equipe internacional de arqueólogos e especialistas em acústica e iluminação estudou dois túmulos etruscos da antiga Itália, na cidade de Tarquínia, datados do século V a.C. Segundo um artigo publicado no Journal of Archaeological Method and Theory, as tumbas conhecidas como Tomba del Gallo e Tomba dei Demoni Azzurri possuem características estéticas e acústicas que podem ter sido planejadas para provocar emoções específicas nos visitantes durante ritos funerários.
De acordo com Maurizio Forte e Jacqueline Ortoleva, pesquisadores responsáveis pelo estudo, o uso de modelagem em 3D permitiu testar diferentes configurações de iluminação com velas, ajudando a entender como as antigas pessoas viam o interior dessas câmaras. Além disso, o uso de inteligência artificial revelou dados importantes sobre a ressonância dos materiais utilizados, possibilitando a análise de como os sons se comportavam nesses espaços. Durante os experimentos, foi observado que sons de baixa frequência, como tambores e vozes graves, apresentavam uma ressonância particularmente forte nesses túmulos, sugerindo que as vibrações poderiam ser sentidas pelo corpo, criando uma experiência sensorial intensa.
A Tomba del Gallo, que data de cerca de 450 a 400 a.C., mede aproximadamente 3,31 metros de comprimento por 2,50 metros de largura, e suas pinturas retratam cenas de banquete e dança. Os testes indicam que o ambiente era preparado para uma acústica controlada, com sons reverberando pouco, o que promovia uma atmosfera calma e de contemplação junto às pinturas. Já a Tomba dei Demoni Azzurri, maior, com cerca de 6,20 por 6,10 metros e datada de 450 a 420 a.C., exibe imagens de um banquete, uma procissão, vários demônios azuis e um barco com homens e mulheres. Nesse espaço, os sons permaneciam por mais tempo, especialmente os graves, como tambores, aumentando a sensação de intensidade e possivelmente induzindo estados de desorientação ou transe nos presentes, devido à combinação de som, luz e imagens inquietantes.
Embora não haja provas concretas de que esses ambientes tenham sido utilizados para induzir estados emocionais, muitos especialistas sugerem que essas construções não eram apenas locais para depositar mortos, mas espaços ativos para rituais. Segundo a Archaeology Magazine, muitas dessas tumbas poderiam ter sido concebidas para criar experiências sensoriais específicas, e não necessariamente como simples túmulos. Ainda assim, o estudo destaca que fatores como a geometria dos espaços poderiam ter influenciado esses efeitos, levando a questionamentos sobre se tais configurações eram intencionais ou resultado de práticas de construção comuns na cultura etrusca. Os pesquisadores aguardam mais levantamentos de outras tumbas na região para entender se esses padrões reverberam em uma tradição mais ampla, ou se seriam casos isolados dessa cultura antiga.
O que sabemos?
- Estudos usaram modelagem 3D para analisar túmulos etruscos.
- Sons de baixa frequência reverberam forte nas tumbas.
- Tumba del Gallo é menor, datada de 450-400 a.C., com pinturas de banquete e dança.
- Tumba dei Demoni Azzurri é maior, de 450-420 a.C., com cenas marcantes e sons que permanecem por mais tempo.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




