Inovação sustentável: lã de ovelha substitui geomantas sintéticas para proteger geleiras na Suíça
Estudos com lonas de lã de ovelha mostram potencial para diminuir a liberação de microplásticos na proteção das geleiras
Pesquisadores suíços testaram lonas de lã de ovelha em geleiras para evitar o derretimento, enfrentando o desafio de contaminação por microplásticos provenientes de coberturas sintéticas.
Uma iniciativa pioneira na Suíça busca usar lã de ovelha como alternativa às tradicionais coberturas de poliéster e polipropileno que envolvem as geleiras durante o verão, com o objetivo de frear seu derretimento e evitar a liberação de microplásticos na natureza. Segundo fontes que participaram do projeto, o experimento foi conduzido pelo grupo Summit Foundation em parceria com a Universidade de Lausanne e a instalação do teste ocorreu em junho de 2026, no Glacier 3000, em Les Diablerets.
O projeto, denominado "Keep It Wool", nasceu a partir da exposição "Glaciers Under Cover", apresentada em Vevey em 2025 pela professora Nathalie Dietschy, da Universidade de Lausanne. Nela, a especialista questionou o impacto ambiental das coberturas sintéticas usadas nas geleiras, que, devido ao vento, chuva e desgaste, se esfarelam liberando fibras microplásticas. Essas partículas contaminam a neve, as águas de montanha e acabam entrando na cadeia alimentar, preocupação que aumentou entre pesquisadores ambientais.
Segundo dados preliminares divulgados, no final do verão de 2026, os pesquisadores instalaram dois protótipos de lonas de lã de 10 por 10 metros, em duas espessuras diferentes, ao lado de uma cobertura geotêxtil sintética de tamanho semelhante. Para garantir sua fixação, as lonas foram presas com sacos de malte reutilizados cheios de cascalho. Desde então, medições quinzenais têm sido feitas por meio de estacas no centro de cada lona, para avaliar a eficácia na preservação do gelo sob o calor solar.
O resultado mais recente aponta que as lonas de lã oferecem uma proteção térmica similar às coberturas sintéticas tradicionais, com potencial para reduzir a liberação de microfibras, já que a lã é biodegradável e renovável. Ainda assim, o uso dessas lonas seria considerado uma medida temporária, devido à pequena cobertura atual — menos de 0,03% da superfície das geleiras suíças — que, apesar de ajudar a preservar aproximadamente 300.000 metros cúbicos de neve anualmente, representa uma fração do volume total de gelo que se perde anualmente, estimado em quase um bilhão de metros cúbicos.
Especialistas ressaltam que a redução do derretimento das geleiras depende principalmente de mudanças globais na emissão de gases de efeito estufa. Por ora, o experimento com lã mostra um avanço na busca por soluções mais sustentáveis, que possam diminuir a poluição causada por plásticos em ambientes frágeis, como as altas altitudes suíças. Ainda não há confirmação oficial de que o método será amplamente adotado, mas os pesquisadores aguardam novos testes para aprofundar as análises.
O que sabemos?
- Pesquisadores suíços instalaram duas lonas de lã de 10x10m no Glacier 3000 em junho de 2026.
- A lã foi testada como substituto de coberturas sintéticas, visando reduzir a liberação de microplásticos.
- Resultados preliminares indicam proteção térmica semelhante às coberturas sintéticas.
- A iniciativa busca diminuir a contaminação das geleiras por fibras microplásticas.
- As lonas de lã são biodegradáveis e representam uma solução temporária para preservar parte das geleiras.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




