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Guaxinins de Cozumel mostram comportamento de brincar com objetos feitos por eles

Em apuração ?

Descoberta inédita revela que espécie ameaçada aprende a fabricar brinquedos como cultura social

Guaxinins brincando com bolas de papel moldadas por eles na ilha de Cozumel
Imagem: Folha de S.Paulo

Pesquisadores observam guaxinins-pigmeus de Cozumel criando e brincando com bolas de papel moldadas por eles próprios, prática até então nunca registrada em outras espécies.

Uma observação incomum chamou atenção em Cozumel, uma ilha mexicana famosa pelo turismo e pelas praias de águas cristalinas. Segundo uma pesquisa recente, uma jovem guaxinim se divertiu fazendo bolas de papel com uma lata de lixo, moldando um recibo de papel em forma de bola e brincando com ela, empurrando de um lado para o outro. A cena, capturada por uma pesquisadora, abriu uma nova janela sobre o comportamento desses animais considerados críticos de extinção na região.

A equipe de pesquisadores da Universidade de Miami, que divulgou o estudo na revista Wild, aponta que essa é a primeira evidência documentada de guaxinins criando brinquedos feitos de objetos materiais e, mais importante, de um comportamento que pode indicar uma forma de cultura — ou seja, um aprendizado social que se transmite entre os indivíduos. Segundo a definição dos próprios cientistas, cultura ocorre quando os comportamentos ou conhecimentos são passados por meio do aprendizado, e não herdados geneticamente. Apesar de já terem sido observadas espécies aprendendo a fabricar ferramentas, essa é a primeira vez que os guaxinins são registrados praticando cultura material dessa forma.

Quem explicou os detalhes do comportamento foi Nessie O’Neil, bióloga responsável pela pesquisa e especialista em guaxinins. Ela notou, em uma das sessões de observação realizadas em janeiro, que, enquanto os turistas consumiam margaritas e relaxavam na praia, um dos jovens guaxinins se dedicava a procurar lixo em uma lata de resíduos recicláveis, diferente dos que buscavam salgadinhos de tortilla nas lixeiras habituais. A bióloga conta que a guaxinim pegou um recibo de papel, molhou-o na água, rolou-o na areia para moldá-lo e o usou como um brinquedo, empurrando e manipulando a bola com as patas. Durante 64 horas de observação, ela presenciou ao menos 14 tentativas de fazer essas bolas, além de notar que a própria irmã do guaxinim tentou experimentar o mesmo, inicialmente confundida com o material mais adequado.

O que chama atenção é que essa prática cultural parece estar sendo ensinada às gerações mais jovens da espécie na ilha, um comportamento até então desconhecido na comunidade científica. Segundo a pesquisa, a prática de fabricar e brincar com objetos de forma intencional demonstra uma transmissão de conhecimento entre os animais, o que reforça a hipótese de uma cultura social entre esses guaxinins ameaçados de extinção. Ainda não há confirmação de que esse comportamento seja comum em toda a população da espécie, que conta com menos de 200 indivíduos e vive exclusivamente na ilha mexicana. O que se sabe é que a alimentação dos guaxinins, que costuma basear-se em caranguejos e caracóis, tem mudado devido à abundância de lixo turístico, o que ajuda a explicar a facilidade dos animais acessarem materiais diversos na lixeira.

Por sua vez, a pesquisadora ressalta o impacto da alimentação inadequada na saúde dos animais, que apresentam atualmente sinais de desnutrição por conta do consumo excessivo de salgadinhos. A descoberta, ainda não confirmada oficialmente por outras fontes, reforça a ideia de que esses animais estão aprendendo a manipular objetos de forma criativa e social, o que pode abrir novas perspectivas para o estudo do comportamento animal, especialmente em espécies ameaçadas.

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O que sabemos?

  • Guaxinins de Cozumel fabricaram e brincaram com bolas de papel moldadas por eles mesmos.
  • Estudos indicam que é a primeira evidência de cultura material nessa espécie.
  • O comportamento foi observado por uma pesquisadora em janeiro durante 64 horas.
  • Menos de 200 guaxinins-pigmeus permanecem na natureza na ilha de Cozumel.

Fontes

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