Futebol

Futebol Guarani na Terra Indígena Jaraguá reforça luta por resistência e reconhecimento

Em apuração ?

Parceiro de lazer e resistência, esporte reforça o protagonismo das mulheres guarani mbyá em São Paulo

Jogadoras guarani durante partida no campo da aldeia Jaraguá
Imagem: Folha de S.Paulo

Na Terra Indígena Jaraguá, o futebol vai além do esporte. Para as mulheres guarani mbyá, o campo é espaço de resistência cultural, político e de afirmação de direitos. Evento celebra uma década de ativismo e mostra desafios enfrentados pela comunidade.

Na Terra Indígena Jaraguá, localizada em São Paulo, o futebol assumiu um papel que transcende as questões esportivas tradicionais. Para as mulheres guarani mbyá que formam o time Xondarias Guarani, o esporte é uma ferramenta poderosa de resistência cultural, política e de afirmação de suas identidades. Segundo Roseane Reté, curadora de uma exposição sobre o tema no Museu do Futebol e jogadora do time, "os homens já possuem espaço e reconhecimento no futebol. A mulher indígena, por outro lado, ainda enfrenta muitos obstáculos, ainda mais por ser indígena". Essa luta por espaço se reflete no cotidiano das jogadoras, que utilizam o campinho da aldeia não apenas para lazer, mas como uma forma de defender seu modo de vida no contexto urbano paulistano.

Em comemoração aos dez anos de existência, o time realiza neste sábado (19) um torneio que visa refletir sobre temas como racismo e fortalecimento do papel feminino na comunidade. Jacileide Martins, responsável pela organização do evento, contou que o futebol serve como espaço de bem-estar, conexão e troca de experiências entre as mulheres, que compartilham suas dores e alegrias. Contudo, ela também destacou os obstáculos enfrentados: "Diversas vezes, quando jogamos com times de fora da aldeia, fomos vítimas de preconceito, xingamentos e ameaças". Ainda segundo ela, desde 2003, há uma luta constante por apoio ao esporte entre as mulheres guarani, além da luta tangencial pela demarcação do território como Terra Indígena, uma batalha histórica do povo guarani mbyá pelo reconhecimento de seus direitos territoriais.

O futebol, nesse contexto, é mais que resistência física: é uma prática que combina saúde, identidade, empoderamento e resistência contra o racismo e a desigualdade. A iniciativa também tem um impacto político, reforçando a importância da preservação do território e das tradições guarani, especialmente em tempos de disputa territorial. Segundo uma fonte não confirmada oficialmente, há um sonho entre as jogadoras: ver uma representante guarani na seleção brasileira de futebol. A história dessas mulheres revela como o esporte pode ser um instrumento de libertação e empoderamento, reafirmando que o futebol, quando resgatado de suas dimensões comerciais e excludentes, pode ser uma ferramenta de transformação social.

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O que sabemos?

  • Futebol no Terra Indígena Jaraguá como espaço de resistência e cultura indígena.
  • Time feminino Xondarias Guarani celebra dez anos de atividades.
  • Evento neste sábado (19) promove reflexão sobre racismo e empoderamento feminino.
  • As jogadoras enfrentam preconceito e falta de apoio desde 2003.
  • Objetivo das jogadoras é ver uma representante guarani na seleção brasileira.

Fontes

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