Estudantes brasileiros levam inovação alimentar a disputa internacional na Holanda
Projeto desenvolvido na USP busca promover segurança alimentar com farinha de ora-pro-nóbis
Estudantes de Piracicaba desenvolvem farinha nutritiva de ora-pro-nóbis para combater a insegurança alimentar e representam o Brasil em competição na Holanda.
Uma equipe de estudantes brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), proveniente de Piracicaba e do interior de São Paulo, está prestes a participar de uma competição internacional na Holanda, levando uma pesquisa inovadora voltada para a segurança alimentar. Segundo fontes da própria USP, o grupo, formado por cinco integrantes, desenvolveram uma farinha proteica, obtida a partir da planta nativa ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), em uma tentativa de oferecer uma solução nutritiva, acessível e sustentável para populações vulneráveis.
O projeto, intitulado 'Kindred Ora', foi criado por estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). Entre os membros do grupo estão Luísa Cruz de Carvalho, de 21 anos, estudante de ciências biológicas, e Bruno Cruz Garbelotti, de 20 anos, estudante de engenharia agronômica. Segundo Luísa, a pesquisa teve início após ela ter contato com a planta durante estágio na área agrícola, o que despertou seu interesse em estudar suas propriedades. Ela revelou que, ao longo de um ano, os estudantes acompanharam o crescimento das plantas, que atualmente estão em vasos com substrato de fibra de coco enriquecido com biochar, uma matéria-prima sustentável.
Segundo informações da USP, a farinha produzida visa substituir a farinha branca convencional e pode ser usada em preparações como sucos e saladas. Para garantir a preservação dos nutrientes, os estudantes construíram um secador solar próprio, que mantém a temperatura em torno de 45ºC, evitando a perda de vitaminas e proteínas durante a processamento. Luísa destacou que a planta possui um percentual elevado de fibras, sendo que cada 100 gramas de ora-pro-nóbis contém aproximadamente 20 gramas de proteína — uma quantidade semelhante a algumas carnes, embora admita que há dificuldades na absorção dessa proteína pelo corpo humano.
Para superar essa limitação, o grupo decidiu hidratar as folhas da planta antes de transformá-las em farinha, método que, segundo eles, potencializa a absorção dos nutrientes. Ainda conforme a estudante, esse projeto além de oferecer uma alternativa alimentar nutritiva e de baixo custo, também tem o objetivo de promover a biodiversidade e reduzir os impactos de monocultivos, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e o fortalecimento da cultura local. Ainda não há confirmação oficial de que o projeto será utilizado em alguma política pública ou aplicação prática ampliada, mas o reconhecimento na disputa internacional na Holanda indica um passo importante para a visibilidade dessas soluções inovadoras.
A participação dos estudantes no desafio internacional está marcada para a próxima terça-feira, e a equipe está otimista quanto ao potencial de seu projeto em dialogar com critérios de inovação e impacto social. Ainda que a proposta apresente grande potencial, fontes disseram que o desenvolvimento final da farinha e sua efetiva utilização em maior escala ainda dependem de processos de validação e possíveis parcerias de empresas do setor agrícola e alimentício. Assim, o que se sabe é que a iniciativa revela o potencial de estudantes brasileiros em contribuir com soluções sustentáveis e inovadoras para problemas sociais complexos, como a segurança alimentar, num momento em que a busca por alternativas nutritivas e acessíveis se torna cada vez mais urgente.
O que sabemos?
- Estudantes brasileiros da USP desenvolveram farinha de ora-pro-nóbis.
- Projeto chamado 'Kindred Ora' visa segurança alimentar.
- A equipe é composta por cinco estudantes de Piracicaba e Piraju.
- Farinha é feita com planta nativa, nutritiva e de baixo custo.
- Participarão de competição na Holanda na próxima terça-feira.
Fontes
- G1 imprensa





