Futebol

Enteado de Leila Pereira vence leilão pela SAF do Vasco com proposta de R$ 500 milhões

Em apuração ?

Negócio ainda depende de aprovação do Conselho e investigação de conflito de interesses

Imagem ilustrativa do estádio do Vasco da Gama e investidores em reunião
Imagem: Folha de S.Paulo

Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, participou do leilão e apresentou a única proposta pela SAF do Vasco, que inclui investimentos de R$ 500 milhões. O processo ainda está sujeito a análises regulatórias e decisões internas do clube.

Na última sexta-feira (25), o empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, venceu oficialmente o leilão pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, realizado na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Segundo informações da Justiça, a proposta de Lamacchia foi a única apresentada durante o processo, que busca transferência de gestão e investimentos para o clube cruz-maltino.

De acordo com fontes, a proposta feita por meio da empresa Almirante Participações prevê um aporte financeiro de R$ 500 milhões ao longo de cinco anos, divididos em parcelas de R$ 100 milhões, que deverão ser desembolsados entre 2026 e 2030. Ainda não há confirmação oficial sobre quando a venda será concluída, pois o negócio precisa passar por aprovação no Conselho Deliberativo do Vasco e também por Assembleia Geral Extraordinária dos sócios — etapas que ainda não foram finalizadas.

Além das questões internas, o processo está envolto em investigações relacionadas a possíveis conflitos de interesse envolvendo Lamacchia. Segundo informações da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anserf), órgão criado pela CBF para fiscalizar o fair play financeiro, há uma apuração em andamento a respeito de possíveis influência cruzada entre o Vasco e o Palmeiras, clube do qual Lamacchia faz parte do grupo de investidores há anos. Ainda não há confirmação se há relação direta do empresário com as controvérsias apuradas.

Essa investigação ganhou força após a Anserf proibir o Vasco de manter relações comerciais com o Palmeiras, incluindo negociações de atletas, e com a patrocinadora Crefisa, que é controlada por um familiar de Lamacchia. A medida foi adotada no fim de agosto e faz parte de uma série de ações para assegurar a transparência e a integridade das operações financeiras dos clubes brasileiros. Além disso, o Vasco chegou a contrair um empréstimo de R$ 80 milhões junto à Crefisa em outubro de 2025, empurrado pelo processo de recuperação judicial do clube, ocorrido desde o início do ano passado.

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Para garantir esse empréstimo, o Vasco ofereceu como garantia uma fatia de 20% nas ações da SAF inicialmente, que posteriormente foi reduzida para 10%. Desde que a SAF foi vendida para o grupo 777 Partners em 2022, o clube vem tentando estruturar uma nova negociação após problemas financeiros graves do investidor estrangeiro, incluindo atrasos nos repasses e desinteresse do grupo de continuar com a gestão. O processo de compra e venda, portanto, permanece em fase de negociações e análises, aguardando o desfecho de várias instâncias.

Segundo especialistas consultados, uma das principais preocupações da Anserf é evitar que influências cruzadas entre clubes concorrentes ou relacionados possam prejudicar a competitividade do campeonato brasileiro. A agência ressalta que regras para multipropriedade e influência cruzada são essenciais para garantir a imparcialidade nas competições, evitando que interesses pessoais ou empresariais possam interferir nos resultados esportivos.

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O que sabemos?

  • Lamacchia venceu o leilão pela SAF do Vasco com proposta de R$ 500 milhões.
  • Proposta foi a única apresentada, feita por meio da empresa Almirante Participações.
  • Negócio depende de aprovação do Conselho Deliberativo e Assembleia Geral do Vasco.
  • Investigações estão em andamento sobre conflito de interesses envolvendo Lamacchia.
  • Vascaíno contraiu empréstimo de R$ 80 milhões com a Crefisa em outubro de 2025, com garantia de ações da SAF.

Fontes

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