Relatório da AIEA revela expansão nuclear da Coreia do Norte
Construções em Yongbyon e Kangson indicam avanço nas atividades nucleares do país
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Coreia do Norte ampliou suas instalações de enriquecimento de urânio em Yongbyon e Kangson. As novas construções e operações geram preocupação internacional.
De acordo com um relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta segunda-feira, a Coreia do Norte fortaleceu seu programa nuclear ao construir uma nova instalação de enriquecimento de urânio na sua principal central nuclear, localizada em Yongbyon. Segundo a agência, a instalação foi identificada por meio do monitoramento por satélite e imagens divulgadas pela mídia estatal norte-coreana, indicando que se trata de uma estrutura de dois andares capaz de acomodar até 28 cascatas de centrífugas de gás, essenciais para o enriquecimento de urânio.
Além disso, a AIEA revelou que uma outra unidade, situada na instalação de Kangson, próxima à capital Pyongyang, também começou a operar um anexo ampliado em janeiro de 2024. A agência relata que essa ampliação pode representar um avanço na produção de material nuclear para armas pelo país, que, segundo o documento, ainda não confirmou oficialmente se essas atividades estão sendo utilizadas com fins militares.
Segundo o relatório, as imagens mostram cascatas de centrífugas em funcionamento no edifício principal de Yongbyon, e que a nova construção aparenta comportar até 28 dessas cascatas. A agência também destacou que, por meio de análises das fotografias, foi possível acompanhar a evolução na infraestrutura de enriquecimento de urânio do país, o que representa uma continuação da expansão nuclear que viola resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou em comunicado que “a operação contínua das instalações de enriquecimento em Kangson e Yongbyon e a expansão relatada da produção de material nuclear para armas pela Coreia do Norte são motivo de grande preocupação”. Ele reforçou que a atuação do país, oficialmente denominado República Popular Democrática da Coreia, revela uma política de avanço que põe em risco a estabilidade internacional.
Desde 2009, a AIEA não possui inspetores na Coreia do Norte, o que dificulta a verificação oficial dessas atividades. A missão do país junto às Nações Unidas rejeitou, em setembro passado, a autoridade da agência, alegando que o status de Pyongyang como Estado nuclear é irreversível e que, por isso, considera que a AIEA não teria “direito legal” de interferir em seus assuntos internos, conforme o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Ainda não há confirmação oficial de outros países sobre as informações divulgadas pela agência, que utilizou imagens de satélite e fontes abertas para monitorar os desenvolvimentos.
O que sabemos?
- A AIEA identificou nova instalação de enriquecimento de urânio em Yongbyon, capaz de abrigar até 28 cascatas de centrífugas.
- Uma instalação em Kangson teria começado a operar um anexo ampliado em janeiro de 2024.
- As atividades nucleares na Coreia do Norte continuam expandindo, apesar de resistência internacional.
- A Coreia do Norte não permite inspeções da AIEA desde 2009, dificultando a verificação oficial dos fatos.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




