Futebol

Contratos milionários no São Paulo geram incertezas e disputas internas

Em apuração ?

Com caminhadas na negociação e alegações de irregularidades, clube avalia propostas para gestão de ingressos

São Paulo e Ticketmaster em negociação com documentos na mesa
Imagem: CNN Brasil

O São Paulo abriu comissão para analisar contrato de R$ 140 milhões com a Ticketmaster, enquanto uma concorrente questiona o processo. A diretoria busca acelerar receitas para quitar dívidas com o elenco.

Após anunciar um contrato de alta relevância financeira, o São Paulo Futebol Clube enfrenta uma turbulência interna que ameaça sua implementação. Segundo fontes ligadas ao clube, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, determinou, nesta semana, a criação de uma Comissão de Análise de Contrato para avaliar os detalhes do acordo com a Ticketmaster, empresa escolhida para administrar a venda de ingressos no Morumbi.

O contrato prevê uma antecipação de R$ 140 milhões por parte da Ticketmaster ao clube, que seria formalizada através de um empréstimo com devolução prevista em cinco anos, com reajuste pela correção monetária. Ainda de acordo com informações oficiais, a proposta inclui uma entrada de R$ 30 milhões logo após a assinatura, além de um pagamento de R$ 110 milhões em 45 dias, destinado a ajudar o clube a quitar dívidas existentes com o elenco. A diretoria do clube afirma que essa verba é crucial para alcançar a promessa de zerar as pendências até o final de setembro, uma meta que já havia sido fixada anteriormente, porém não cumprida dentro do prazo prometido em início de julho.

Enquanto isso, uma disputa jurídica e administrativa se desenrola. Uma outra empresa, a NewC, que também participou do processo de licitação, enviou questionamentos a Olten Ayres, alegando que a concorrência foi marcada por falta de respostas, troca de informações desatualizadas e critérios técnicos que eles consideram desvalorizados. Segundo a NewC, a proposta oficial apresentada à comissão foi de R$ 500 milhões, valor que a sua equipe alega nunca ter sido registrado oficialmente no processo. Ainda segundo essa fonte, a proposta da Ticketmaster, considerada pela diretoria do São Paulo como a melhor, foi aceita com base na proposta formal e na avaliação de condições mais favoráveis ao clube.

De acordo com relatos vazados, um áudio em que Harry Massis, um integrante do grupo responsável pela gestão, comenta sobre a votação do contrato, revela uma preocupação: “Agora eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente do Conselho colocar na pauta para ser votado, porque, se segurar e não for votado, nós não vamos cumprir nada. Não vai ter dinheiro para pagar nada, entendeu? Então tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar e daí recai sobre a minha pessoa”, afirmou na gravação. Ainda assim, o clube não se pronunciou oficialmente sobre esse ruído, reforçando que aguarda a formação da comissão para avaliar todos os aspectos.

Apesar do clima de incerteza, a diretoria do São Paulo mantém o foco na retomada financeira, especialmente no pagamento de dívidas com o elenco. Nos últimos meses, a promessa de zerar esses débitos até o início de agosto não foi cumprida, mesmo depois de reuniões e promessas feitas aos jogadores e às torcidas organizadas. Em julho, durante uma reunião com o diretor financeiro, Sergio Pimenta, a expectativa era quitar as pendências em 30 dias, mas o prazo expirou sem sucesso. O esforço agora está concentrado na entrada de recursos por meio do contrato com a Ticketmaster, buscando, assim, estabilizar as finanças e evitar transtornos futuros.

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O que sabemos?

  • São Paulo criou comissão para avaliar contrato com Ticketmaster
  • Contrato prevê antecipação de R$ 140 milhões em cinco anos
  • Proposta inclui pagamento imediato de R$ 30 milhões e R$ 110 milhões em 45 dias
  • Uma concorrente, a NewC, questionou o processo de licitação
  • A diretoria busca quitar dívidas com o elenco até final de setembro

Fontes

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