Clubes de futebol evitam reunião com governo sobre apostas e encontro é cancelado
Dirigentes de times ameaçam boicotar discussão sobre proibição das bets
A reunião prevista entre clubes brasileiros e o governo Lula para discutir a proibição das apostas esportivas foi oficialmente cancelada após um movimento liderado por dirigentes de Palmeiras e Flamengo. O veto às apostas de quota fixa mantém debates acalorados no futebol e na política.
Uma reunião marcada para esta terça-feira (29) entre clubes de futebol brasileiros e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi cancelada após uma articulação dos próprios dirigentes das equipes. Segundo fontes sob reserva, dirigentes do Palmeiras e Flamengo participaram de uma mobilização para esvaziar o encontro, que teria como pauta a discussão sobre a proibição das apostas de quota fixa, também conhecidas como bets, que envolvem apostas esportivas e jogos online como cassinos e o chamado 'tigrinho'.
O governo Lula anunciou oficialmente, na última sexta-feira (25), a proibição dessas apostas, numa decisão liderada por uma ala da campanha eleitoral petista que busca aumentar o apoio ao candidato à véspera do primeiro turno, marcado para o próximo domingo (4). Ainda não há confirmação oficial, mas a decisão de vetar as bets também seria influenciada por estudos que apontam o crescimento do endividamento familiar ligado às apostas, além de agravamentos na avaliação do governo sob o aspecto econômico e social.
Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, a expectativa do governo era realizar uma discussão com todos os clubes das categorias A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, além do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Contudo, dirigentes de Palmeiras e Flamengo, que têm entre suas receitas patrociniais relacionadas às apostas, teriam exercido pressão e preferido não participar do encontro nesta fase, por receio de uma exposição política antes do período eleitoral e por discordarem do modo como a decisão foi tomada sem consulta prévia às equipes.
As mesmas fontes indicam que esses dirigentes, que também citaram vínculo com empresas de bets, sentiriam-se desrespeitados pelo modo de condução do tema pelo governo. Além disso, há uma avaliação de que a troca do patrocínio proveniente das apostas por uma renegociação de dívidas — proposta pelo governo na tentativa de aliviar a saúde financeira dos clubes — não seria uma troca vantajosa, já que o primeiro gera receita imediata, enquanto o segundo implicaria em empréstimos futuros.
O movimento liderado por Palmeiras e Flamengo foi considerado por alguns como uma estratégia para evitar polêmicas nas vésperas do pleito eleitoral e preservar a imagem das equipes. Como consequência, o governo decidiu adiar oficialmente o encontro, que já havia sido alvo de críticas e tensão por parte das entidades do setor de apostas e do próprio futebol. Ainda assim, o governo declarou que continuará buscando formas de dialogar com o setor esportivo, possivelmente por outros canais, visando também propostas de renegociação de dívidas dos clubes.
O que sabemos?
- Reunião entre clubes de futebol e governo Lula marcada para 29 de novembro foi cancelada.
- Dirigentes de Palmeiras e Flamengo lideraram a mobilização para esvaziar o encontro.
- O veto às apostas de quota fixa foi anunciado na sexta-feira (25).
- A decisão foi parte de uma estratégia do governo antes das eleições de domingo (4).
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





