Clubes das Séries A e B do Brasileirão junto-se para solicitar prorrogação no fair play financeiro
Proposta busca estender prazo de transição para regularização de dívidas antigas no futebol brasileiro
Jogadores, diretores e clubes protestam contra o curto prazo para quitar dívidas anteriores a 2026, defendendo uma extensão até novembro de 2028.
Segundo fontes próximas ao movimento, clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro estão articulando uma proposta para solicitar à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) a prorrogação do período de transição no sistema de sustentabilidade financeira, conhecido como fair play financeiro. A principal motivação é a dificuldade que os clubes enfrentam para regularizar dívidas acumuladas antes de 2026, com prazo atual até o próximo mês de novembro, que muitos consideram insuficiente para um ajuste sustentável.
De acordo com informações repassadas por fontes, o movimento, liderado pelo Santos, busca estender esse prazo até novembro de 2028 ou, pelo menos, até o final de 2027. Além de buscar apoio de outros clubes, o objetivo é formalizar o pedido na próxima semana, apresentando argumentos de que a redução abrupta na possibilidade de postergar dívidas antigas pode resultar em inadimplência e até mesmo em sanções mais severas como multas, retenção de receitas, restrições para inscrever jogadores, perda de pontos, rebaixamento ou cassação da licença de competência dos clubes.
Segundo relatos, a justificativa central para a flexibilização envolve a atual crise financeira provocada pela recente Medida Provisória que proibiu as apostas esportivas no Brasil, gerando uma queda significativa na receita publicitária dos clubes. Ainda segundo a fonte, essa redução de receita agravou a capacidade financeira dos times, dificultando a regularização de dívidas multimilionárias adquiridas ao longo dos anos. Estimativas de consultorias apontam que o endividamento líquido acumulado dos principais clubes brasileiros chega a algo entre R$ 16 bilhões e R$ 17,3 bilhões.
Há ainda um argumento de que o curto prazo para solucionar essas dívidas poderia provocar uma cadeia de inadimplências, uma vez que o pagamento de um clube muitas vezes significa receita a receber de outro, aumentando ainda mais a complexidade do cenário financeiro. A proposta também destaca que outros requisitos do Sistema de Sustentabilidade, como o controle de custos e a gestão do endividamento de curto prazo, possuem prazos de transição mais longos, que se estendem até 2028 ou até 2029, o que reforça a solicitação por uma uniformização de prazos.
O Sistema de Sustentabilidade Financeira, anunciado em novembro do ano passado, visa promover maior equilíbrio financeiro às equipes por meio da monitorização de indicadores diferentes, além do registro de todas as transações em sistema próprio da CBF, incluindo contratos de atletas e pagamentos previstos. Ainda não há confirmação oficial de que o pedido foi formalizado ou se a proposta será acatada, já que o clube não se pronunciou oficialmente até o momento. A decisão deverá passar por análise da agência reguladora, que deve ponderar o impacto de prorrogar o prazo de transição e a necessidade de fortalecer a saúde financeira do futebol nacional.
O que sabemos?
- Clubs das Séries A e B estão articulando para pedir flexibilização nas regras do fair play financeiro.
- O movimento é liderado pelo Santos.
- A proposta visa estender o período de transição até novembro de 2028 ou final de 2027.
- Dívidas anteriores a 2026 atualmente têm prazo até novembro para regularização.
- Medida Provisória proibiu apostas esportivas, dificultando receitas dos clubes.
Fontes
- ge fonte especializada





