Avanço na ciência: nova técnica permite visualizar comunicação celular ao longo do corpo vivo
Tecnologia inovadora esclarece como células de diferentes órgãos interagem em organismos transparentes
Pesquisadores desenvolveram uma técnica inédita que possibilita assistir às trocas de sinais entre células de diferentes partes do corpo em tempo real. A descoberta, apresentada na revista Nature, pode abrir novos caminhos no entendimento de processos biológicos complexos.
Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos desenvolveu uma técnica revolucionária capaz de observar como células de diferentes regiões do corpo se comunicam em organismos vivos inteiros. Segundo informações divulgadas pela revista Nature, essa novidade, chamada WHOLISTIC (Sistema de Imagem ao Vivo do Organismo Completo para registrar atividade de Tecidos e Cellular), permite acompanhar, em tempo real, as trocas de sinais celulares, especialmente o uso do cálcio, uma molécula-chave na comunicação entre células.
De acordo com a fonte única desta apuração, uma das principais pesquisadoras envolvidas, Virginie Ruetten, explicou que essa nova tecnologia consegue preencher uma lacuna antiga na biologia. "Este trabalho une duas escalas fundamentais – a do nível celular e a do organismo como um todo – algo que era bastante desafiador até agora," afirmou. A técnica utiliza engenharia genética para fazer com que quase todas as células de um organismo expressem sensores fluorescentes que se acendem quando há variação nos níveis de cálcio, permitindo que esses sinais sejam visualizados de forma clara e em detalhes.
Até o momento, a pesquisa foi aplicada em organismos transparentes, como larvas de peixe-zebra e uma espécie de peixe de água doce, Danionella cerebrum, que permanece transparente na fase adulta. Essas espécies têm sido peças importantes na pesquisa biomédica por serem modelos que facilitam a visualização de processos internos, o que possibilitou uma compreensão inédita das comunicações celulares entre diferentes órgãos.
Entre as descobertas interessantes, os cientistas observaram que células responsáveis por formar cartilagem, chamadas condrocitos, reagiram ao frio com uma intensificação na atividade de cálcio. Além disso, o tecido que reveste o cérebro, as meninges, também apresentou respostas ao uso de ketamina, um anestésico conhecido, o que foi uma surpresa e indica que há uma interação mais complexa entre as funções cerebrais e os medicamentos do dia a dia.
Segundo ainda a fonte, essa visão geral do organismo revelou, pela primeira vez, a existência de sinergias musculares e interações entre músculos e órgãos que até então eram desconhecidas. Essa nova abordagem pode ter implicações significativas para entender melhor como o corpo funciona de forma integrada, ajudando a investigar doenças, comportamentos e até possibilidades futuras de tratamentos mais precisos.
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada





