A maratona que durou mais de meio século: a história de Shizo Kanakuri em Estocolmo
Como uma desistência em 1912 virou um recorde não oficial décadas depois
Shizo Kanakuri iniciou a percurso olímpico em 1912 e só o concluiu simbolicamente em 1967, em um episódio que mistura história, resistência e o universo das maratonas.
Durante os Jogos Olímpicos de 1912, realizados em Estocolmo, na Suécia, um episódio inusitado chamou atenção não apenas dos atletas presentes na prova de maratona, mas também da história do esporte mundial. Segundo fontes, o atleta japonês Shizo Kanakuri, com apenas 20 anos na época, foi o responsável por um dos acontecimentos mais curiosos do atletismo olímpico: ele começou a maratona, mas a abandonou a cerca de 30 quilômetros do final e, décadas depois, retornou ao palco da competição para concluir simbolicamente o percurso.
Segundo informações da mesma fonte, a participação de Kanakuri foi marcada por dificuldades que começaram antes mesmo da largada. A viagem do Japão para a Suécia, que envolveu cerca de 18 dias de deslocamento por navio e trem, incluindo a Ferrovia Transiberiana, desgastou bastante o atleta, que precisou de recuperação antes de competir. O dia da prova, 14 de julho de 1912, foi marcado ainda pelo calor intenso, que dificultou o desempenho de todos os corredores e provocou muitas desistências, incluindo a de Kanakuri. De acordo com relatos, após percorrer aproximadamente 30 quilômetros, ele se refugiou em uma residência, onde recebeu água e adormeceu. Ao despertar no dia seguinte, não comunicou sua desistência oficialmente às organizadoras, e retornou ao Japão, alimentando especulações sobre seu desaparecimento durante a prova.
A história ganhou um novo capítulo em 1967, quando uma emissora de televisão sueca convidou Kanakuri a retornar a Estocolmo para concluir a maratona simbolicamente. Segundo fontes, naquela ocasião, o atleta tinha 75 anos e já tinha encerrado sua carreira como corredor. No dia 20 de março daquele ano, ele cruzou a linha de chegada, finalizando uma espera de mais de cinco décadas, especificamente 54 anos, oito meses e seis dias após sua largada. Essa façanha entrou para o Guinness World Records como o maior intervalo de tempo registrado entre a largada e a conclusão de uma maratona. Contudo, enfatiza-se que esse reconhecimento não equivale a um recorde de tempo de corrida, uma vez que a marca considera o período entre o início da prova em 1912 e sua finalização simbólica em 1967, sem alterar o resultado oficial da competição olímpica.
Apesar de sua desistência em Estocolmo, Kanakuri não deixou de representar o Japão em outras edições dos Jogos Olímpicos. Segundo a fonte, ele participou de Antuérpia, em 1920, concluindo a maratona na 16ª colocação, e também esteve presente em Paris, em 1924. Além disso, Kanakuri teve papel importante na popularização das corridas de longa distância no Japão, ajudando na criação da famosa prova universitária Hakone Ekiden, e ficou conhecido como o "pai da maratona japonesa". Sua trajetória é marcada não só pela resistência física, mas também pelo impacto cultural no esporte no país.
O que sabemos?
- Kanakuri iniciou a maratona em 1912 e concluiu simbolicamente em 1967.
- A viagem até a Estocolmo durou cerca de 18 dias, incluindo navios e trem na Ferrovia Transiberiana.
- Durante a prova, o calor forte causou desistências e dificuldades; Kanakuri abandonou após 30 km.
- Ele se refugiou em uma residência, dormiu, e voltou ao Japão sem comunicar a desistência.
- A finalização simbólica ocorreu em 20 de março de 1967, após uma espera de mais de 54 anos.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





