Esportes

Fim das franquias em eSports gera ondas de mudanças e questionamentos

Em apuração ?

Modelos de negócios com taxas altas e custos insustentáveis levaram ao colapso de ligas consolidada no cenário global

Logo da Overwatch League e símbolos de competições de eSports
Imagem: Olhar Digital

A derrocada de sistemas baseados em franquias no eSports evidencia os riscos de estruturas financeiras excessivamente caras e pouco sustentáveis. As maiores ligas, como Overwatch League e as divisões de League of Legends, enfrentaram dificuldades que culminaram em encerramento ou reestruturações profundas.

Nos últimos anos, o mundo dos esportes eletrônicos passou por uma mudança profunda na sua configuração de ligas e formatos de competição, principalmente por causa do fracasso de modelos de franquias que prometiam rentabilidade e crescimento sustentáveis. Segundo investigação baseada em diversas fontes do setor, o cenário evidencia que essas estruturas, muitas vezes, sumiram sob o peso de custos altíssimos e estratégias financeiras pouco viáveis a longo prazo.

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa onda de fracassos foi a Overwatch League (OWL), criada pela Activision Blizzard. Lançada em 2017, a liga exigiu aos investidores um aporte inicial estimado em US$ 20 milhões por franquia, com valores chegando a até US$ 60 milhões durante rodadas de expansão. Segundo fontes do setor, investidores tradicionais de esportes como a NBA — incluindo nomes ligados a grandes grupos empresariais — acreditavam que o OWL se tornaria o “esporte da Geração Z”, aproveitando a ideia de um modelo home-and-away, que previa equipes com bases físicas em diferentes cidades e viagens pelo mundo para as partidas. Contudo, a pandemia de COVID-19 veio em 2020, agravando a situação ao limitar viagens e eventos presenciais, além de causar uma estagnação na audiência, dificultando a manutenção financeira das equipes.

De acordo com informações ainda não confirmadas oficialmente, as organizações envolvidas na OWL, que hoje estão sufocadas por dívidas, votaram em 2023 pelo fim do projeto. A Activision Blizzard, por sua vez, pagou aproximadamente US$ 6 milhões a cada franquia como taxa de rescisão, encerrando o contrato e migrando o formato para circuitos de terceiros, como a ESL FACEIT Group. Essa transição marca uma mudança radical de paradigma, deixando de lado o sistema fechado de franquias em favor de um circuito aberto que possa ser gerenciado por empresas independentes.

Coletivamente, as ligas de League of Legends também passaram por uma turbulência semelhante. Quando a Riot Games adotou o sistema de franquias na LCS, em 2018, a expectativa era de maior estabilidade financeira e competitiva; contudo, na prática, o rebaixamento foi eliminado, o que, segundo análises de especialistas, favoreceu a apatia no público e na competitividade. Organizações locais começaram a investir menos em elencos de alto custo, com contratações milionárias de jogadores asiáticos que não criaram conexão com os torcedores e tampouco renderam bons resultados em torneios internacionais. Entre 2021 e 2024, a audiência da liga caiu significativamente, levando a Riot a anunciar, em junho de 2024, uma fusão entre a LCS, o CBLOL (Brasil) e a LLA (América Latina), formando a LTA a partir de 2025.

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Apesar das boas intenções de otimizar custos e promover intercâmbio cultural, a fusão foi rejeitada pelos fãs e pelas equipes, que consideraram a tentativa uma diluição da identidade local. Em setembro de 2025, a própria Riot anunciou a reversão do processo, restabelecendo as ligas nacionais como entidades independentes em 2026, com vagas e finais regionais próprias. A Liga Latina de League of Legends, por sua vez, permaneceu como equipe parceira nestes circuitos, sem uma liga própria, mantendo o foco na colaboração das principais equipes locais.

Levando em conta esses exemplos, percebe-se que a tentativa de unificar e profissionalizar as ligas através de franquias não trouxe os resultados esperados, ao contrário: expôs fragilidades financeiras, prejudicou o engajamento local e, em alguns casos, levou ao encerramento de toda uma estrutura. Apesar de diferentes, as experiências demonstram a volatilidade das estratégias corporativas no cenário global de eSports, onde custos excessivos, a dependência de um público específico e a falta de uma conexão duradoura com o público regional parecem ser fatores determinantes para o sucesso ou fracasso dessas iniciativas."

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O que sabemos?

  • A Liga Overwatch League foi criada em 2017 e exigiu aporte inicial de até US$ 60 milhões por franquia.
  • A OWL encerrou suas atividades e a Activision Blizzard pagou cerca de US$ 6 milhões por franquia para rescisão.
  • A Liga de League of Legends (LCS) e o sistema de franquias foram adotados em 2018 (EUA) e 2021 (Brasil).
  • Entre 2021 e 2024, as audiências dessas ligas caíram, levando à tentativa de fusão das ligas regionais pela Riot em 2024.
  • A fusão entre LCS, CBLOL e LLA foi rejeitada e revertida em 2025, retornando ao formato de ligas independentes em 2026.

Fontes

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