Teatro em Belém celebra veteranas do palco com apresentação contagiante
Celebração da cultura paraense reúne atrizes de destaque e homenagem às raízes do teatro popular
Espetáculo no Sesc Ginástico destaca a trajetória de atrizes experientes do teatro brasileiro, unindo memória, cultura e festa em uma montagem que transita do clássico ao popular.
Uma montagem que homenageia atrizes veteranas e celebra a cultura paraense está em cartaz no Teatro Sesc Ginástico, em Belém. Segundo informações de uma fonte ligada à produção, o espetáculo intitulado "As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias" traz à sala um forte espírito de teatro de rua, popular e imersivo, reminiscente do balagan, termo do teatro russo que, desde o século 18, descreve o teatro de feira disruptivo, cheio de farsas, improvisações e interatividade.
A peça começa ao vivo com uma celebração na plateia, quando o grupo Carimbaby e artistas locais percorrem os corredores com tambores e cantos tradicionais, envolvendo o público numa atmosfera festiva. A direção é de Eduardo Barata, com colaboração de Elaine Moreira, segundo a mesma fonte. A história inicia em uma assembleia de condomínio fictícia, no Edifício Galharufa, em Copacabana, onde a síndica Maria Bete, interpretada por Bete Mendes, conduz uma discussão sobre questões cotidianas, que logo se revelam metáforas das crises políticas nacionais, como disputas por taxas, barulhos e conflitos entre vizinhos inspirados em figuras da política recente, incluindo personagens fictícios que representam nomes conhecidos neste cenário.
Conforme a produção, o espetáculo procura transformar essas disputas em uma grande celebração coletiva, levando o público a uma espécie de cortejo simbólico até Belém, para acompanhar a tradicional procissão do Círio de Nazaré. Ainda segundo a fonte, a montagem consegue fundir a fé popular, a alegria de feira e o folclore local ao trazer, ao centro do palco, seis destacadas atrizes veteranas do teatro brasileiro, cujas idades chegam a 90 anos. Entre elas estão nomes como Ítala Nandi, Ivone Hoffmann, Maria Pompeu, Mariah da Penha, Veluma Nunes, além de Joana Fomm e Hildegard Angel — todas com carreiras marcadas por importantes contribuições ao teatro, televisão e cultura brasileira.
A produção destaca que essas artistas, que atravessaram décadas de história, incluindo períodos de ditadura, o Teatro Oficina e a teledramaturgia, até hoje trazem para cena sua experiência, reafirmando que a força do teatro está na memória viva de seus atores. A estética visual do espetáculo foi inspirada na cultura marajoara, com figurinos de Rute Alves, que remetem à cerâmica típica da região, e uma trilha sonora que transita do carimbó e lundu a elementos do brega, incluindo músicas de Dona Onete e Joelma, culminando na canção colectiva "Andança", que reforça o sentimento de união e ancestralidade presente na montagem.
Segundo a fonte, o espetáculo consegue, com sua fusão de elementos cênicos e culturais, atingir uma espécie de clímax lírico no quadro chamado "Caixa de Memórias". Ainda não há confirmação oficial de detalhes adicionais, e o clube ou produção ainda não se pronunciaram sobre possíveis próximas sessões ou premiações, aguardando-se informações complementares. A equipe que conduz o projeto reforça que a peça é uma homenagem às raízes do teatro popular do Pará, valorizando tanto a experiência dos veteranos quanto a nova geração de artistas envolvidos na continuidade dessa tradição cultural única.
O que sabemos?
- Espetáculo no Sesc Ginástico celebra atrizes veteranas e cultura paraense
- Montagem mistura teatro de rua, festa e homenagem às experiências do teatro brasileiro
- Cênicas interativas e envolventes remetem ao balagan russo
- Atrizes com até 90 anos de idade participam do espetáculo
- Trajetórias de décadas, incluindo períodos de ditadura, e referências culturais locais
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



