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Herói satírico dos quadrinhos estreia nas telas brasileiras com abordagem mais política

Em apuração ?

Longa baseado no personagem Overman traz crítica social e reflete mudanças na narrativa do personagem

Cena do filme Overman com o personagem principal, vestido com máscara e traje roxo e amarelo
Imagem: Folha de S.Paulo

A adaptação cinematográfica do personagem Overman, criado por Laerte em 1998, chega aos cinemas brasileiros apresentando uma história mais aprofundada e crítica. A personagem, originalmente uma paródia de heróis americanos, ganha uma nova dimensão na produção dirigida por Tomás Portella.

O personagem Overman, que marcou uma geração desde sua criação em tiras de quadrinhos pelo cartunista Laerte, estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros na adaptação homônima dirigida por Tomás Portella. Segundo informações de uma fonte ligada à produção, a peça é uma coprodução entre Star Original Productions, FSA e RioFilme, com distribuição feita pela Migdal Filmes e apoio digital da WIP. Laerte, que também atua como criadora do personagem, comenta que o filme expandiu a história do super-herói e trouxe uma abordagem mais política, diferente da versão mais humorística e caricata das tiras originais.

Na história, Overman aparece como um herói decadente, que vive em condições precárias, e recebe uma proposta para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública. A partir dessa oportunidade, busca recuperar seu propósito de vida. A personagem, que no filme só faz sexo às sextas-feiras e fica completamente focada nesse dia, é oficialmente uma sátira às figuras de poder e às questões sociais brasileiras. Laerte explica: "Qualquer coisa do Overman funciona como um viés crítico, altamente não recomendável. Aquilo ali é assédio puro".

O filme também traz elementos que remetem às críticas feitas pelos quadrinhos à política recente, incluindo uma tira produzida durante o governo de Jair Bolsonaro onde o herói foi contratado para acabar com manifestações contrárias ao então presidente — cena que ainda não foi confirmada oficialmente, aguardando confirmação de outras fontes. Laerte reforça a importância de sua obra como uma ferramenta de questionamento e reflexão, embora reconheça as dificuldades de interpretação que suas criações encontram na atualidade. Ela comenta que, ao longo dos anos, seu trabalho passou de uma influência quase educacional — por estar presente em livros didáticos — para um fenômeno de meme, com uma piada recorrente que diz: 'Laerte, não entendi!', acompanhado de um lobisomem rasgado em agonia.

Sobre o impacto de sua criação e a leitura do público, Laerte ressalta a complexidade da comunicação: "Para quem está fazendo a história, as coisas estão muito claras, mas, para quem está lendo, não. Então, quando é uma falha minha, gosto de perceber onde fiz bobagem e evitar ou consertar." Como uma artista que sempre buscou explorar a linguagem poética no humor, ela reflete sobre como sua obra pode ser instrumento de crítica social, especialmente ao considerar que, se o personagem fosse criado hoje, provavelmente teria um tom ainda mais político, dada a conjuntura brasileira atual. Ainda não há confirmação oficial de outras participações ou declarações adicionais da produção, e a estreia nos cinemas ainda não recebeu uma resposta definitiva de distribuidoras ou montadoras. Portanto, tudo indica que a adaptação do Overman marca um ponto de inflexão na maneira como histórias de heróis podem refletir o cenário social do país, trazendo à tona debates sobre poder, moralidade e os limites do humor crítico.

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O que sabemos?

  • A estreia do filme Overman ocorre em 22 de março de 2024.
  • O personagem foi criado por Laerte em 1998 e aparece como satira de heróis tradicionais.
  • A produção é uma coprodução de Star Original Productions, FSA e RioFilme, com distribuição pela Migdal Filmes.
  • Laerte comenta que, se criado hoje, o personagem seria mais político.
  • O filme mostra Overman como um herói decadente que trabalha na Secretaria de Segurança Pública.

Fontes

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