Recorde de jejum no centro de São Paulo é marcado por última façanha do faquir Silki
Histórico de resistência e o declínio do faquirismo na cidade
No Largo do Paissandu, um recorde de jejum foi atingido após décadas de tradição na cidade, encerrando uma fase do showbiz dos faquires na capital paulista.
Segundo informações de uma fonte não oficial, um feito inédito de jejum foi registrado no Largo do Paissandu, centro de São Paulo, marcando a última grande apresentação de um faquir no local. Conhecido por sua resistência extrema às provas de dor e jejuns prolongados, o artista passou 115 dias sem comer, encerrando sua rotina de apresentações em uma casinha de vidro na praça. Essa performance, ocorrida em maio de 1980, é apontada por alguns como o ponto final de uma tradição que, por décadas, encantou e assustou o público paulistano.
De acordo com registros históricos, o faquir Adelino João da Silva, mais conhecido como Silki, foi uma das figuras mais emblemáticas do faquirismo na cidade. Nascido em 1922, Silki foi destaque na mídia ao bater recordes de resistência, como o jejum de mais de cem dias, e sua vida foi tema de matérias, capas de revista e até de uma participação no Jornal Nacional. Sua última apresentação, que culminou com a performance de 115 dias em uma urna de vidro, foi considerada por muitos como o fim de uma era de shows de resistência no centro de São Paulo. O faquirismo, que tinha suas origens nas décadas de 1920 a 1960, envolvia figuras que demonstravam controle extremo da dor e resistência física através de tarefas bizarras, como caminhar sobre brasas, ficar meses sem comer ou suportar cobras em seu corpo. Os principais nomes, inclusive Silki, se tornaram ícones de uma cultura popular que, na época, atraía multidões e estimulava o mercado publicitário e de apostas. Vários locais na cidade, como o largo do Paissandu, a avenida São João e a praça da República, funcionaram como palcos dessa atividade, que tinha uma forte ligação com circos e apresentações solo. Ainda segundo a fonte, a popularidade do faquirismo começou a declinar com o avanço da televisão e a desmistificação de técnicas de ilusionismo e paranormalidade, que reduziram o impacto do que antes era entendido como algo sobrenatural. Além disso, fraudes e falsas apresentações também contribuíram para a perda de credibilidade do fenômeno. O ator José Mojica Marins, famoso pelo personagem Zé do Caixão, explorou esse universo em seu filme de 1969, 'O Profeta da Fome', onde a narrativa mostra a transformação de um faquir que, após crucificações e jejuns, se torna campeão mundial, representando a banalização da dor e do sofrimento como entretenimento. O final dessa história, ainda não oficialmente confirmado, marca o que muitos consideram como o encerramento do faquirismo no coração de São Paulo. A atividade, que uma vez foi símbolo de resistência e coragem, agora pertence à memória de uma época em que o entretenimento extremado tinha forte apelo popular, mas também um lado sombrio de exploração e espetáculo. A reportagem reforça que essa última façanha, se concretizada, fecha um capítulo importante da cultura urbana e do circo de resistência na maior metrópole do país.O que sabemos?
- Um recorde de jejum foi realizado no Largo do Paissandu, em São Paulo.
- O jejum durou 115 dias, encerrando uma fase do faquirismo na cidade.
- Silki, um famoso faquir paulista, realizou a última apresentação em 1980.
- O faquirismo envolvia resistência a tarefas extremas e jejuns prolongados.
- Declínio do faquirismo se atribui à televisão e à desmistificação por parte da ciência.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




