Filme revela fraude da Theranos e o magnetismo de Elizabeth Holmes
Documentário estreia nos EUA e reforça controvérsias sobre uma das maiores fraudes do Vale do Silício
Um novo filme conta por dentro a história de Elizabeth Holmes, a jovem que prometeu revolucionar a medicina com uma tecnologia que nunca funcionou de verdade, levando investidores a perder bilhões, e apresenta o episódio de forma inédita.
Um documentário lançado nos Estados Unidos traz uma visão aprofundada sobre a história de Elizabeth Holmes, ex-empresária e figura central na fraude da Theranos, uma startup que prometia transformar a medicina preventiva com um dispositivo de exames de sangue revolucionário. Segundo fontes, Holmes, que aos 19 anos ambicionava criar uma tecnologia capaz de diagnosticar até 200 doenças com uma gota de sangue e foi inicialmente celebrada como uma gênia do Vale do Silício, carregava um magnetismo particular que impressionava até os investidores mais experientes.
Holmes, que tinha um rosto marcante com olhos azuis grandes e uma postura que remete ao estilo de Steve Jobs — com blusas pretas de gola alta —, conseguiu convencer figuras influentes do mundo dos negócios a investir milhões. Segundo relatos, ao lado de seu parceiro de negócios e ex-namorado, Sunny Balwani, ela captou recursos avaliando a companhia em bilhões de dólares, entre eles uma quantia de US$ 125 milhões por parte de Rupert Murdoch. De acordo com quem acompanha o caso, Holmes se apresentava como uma supercientista que iria revolucionar o sistema de saúde, uma narrativa sustentada até mesmo por revistas como Inc. e Fortune, que a apelidaram de “o próximo Steve Jobs”.
No entanto, essa promessa dourada começou a ruir em 2015, quando o repórter John Carreyrou, do The Wall Street Journal, revelou anteriormente em uma investigação que os aparelhos utilizados pela Theranos eram na verdade equipamentos convencionais de outras empresas do setor, adaptados para parecerem próprios. Ainda segundo informações colhidas por essa fonte, as máquinas exigiam volumes maiores de sangue do que a picada no dedo fornecia, e funcionários da startup eram instruídos a diluir as amostras para obter resultados mais rápidos, porém muitas vezes imprecisos.
O impacto foi devastador: a avaliação da empresa, que chegou a US$ 9 bilhões, despencou até quase zero, culminando na falência. Holmes foi posteriormente condenada por fraude, e seu caso se tornou um símbolo de uma das maiores fraudes do Vale do Silício. O novo documentário, intitulado ‘You Can See Everything’, que estreia nos cinemas americanos em 16 de outubro, promete explorar não só os fatos, mas também a mentalidade por trás da história, incluindo um episódio curioso: Holmes convidando um dos diretores do filme, Nathan Fielder, para morar em sua casa na esperança de convencer cineastas e o público de sua inocência ou de uma possível injustiça.
Dirigido por Fielder, ao lado de Lance Oppenheim, o filme também acompanha o esforço do diretor em decifrar se Holmes realmente tenta manipular a narrativa ou se há uma sinceridade aparente na sua conduta. Ainda não há confirmação oficial sobre o lançamento do documentário no Brasil, mas a produção, que já foi exibida no Festival de Cinema de Telluride, vem sendo considerada uma das obras mais reveladoras sobre o caso até agora. O final da história de Holmes se aproxima, pois ela se apresentará à prisão federal para cumprir uma pena de 11 anos, e a narrativa do filme parece querer mostrar os bastidores dessa trajetória que mistura genialidade, engano e manipulação.
O que sabemos?
- Elizabeth Holmes prometeu revolucionar a medicina com um dispositivo de exames de sangue.
- Holmes foi comparada a Steve Jobs e adotou seu estilo visual e postura.
- A Theranos, avaliada em US$ 9 bilhões, foi desmascarada por uso de máquinas convencionais adaptadas.
- Investidores, incluindo Rupert Murdoch, perderam bilhões após revelações.
- Holmes foi condenada por fraude e se apresenta à prisão para cumprir pena de 11 anos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





