Discrepâncias surgem sobre os custos do filme 'Dark Horse' e investigações envolvendo valores e possíveis desvio de dinheiro
Produção de filme no Brasil revela versões conflitantes sobre gastos, enquanto polícia investiga origem de financiamento supostamente direcionado ao projeto.
A produtora e o diretor de 'Dark Horse' apresentaram versões diferentes sobre o orçamento do filme, enquanto investigações da Polícia Federal apuram repasses de dinheiro de um banqueiro ligado ao senador Flávio Bolsonaro. Ainda não há confirmação oficial sobre o destino final dos valores usados na produção.
A produção do longa-metragem 'Dark Horse' está no centro de uma controvérsia após declarações conflitantes entre a produtora responsável e o próprio diretor do filme. Segundo fontes, enquanto o diretor afirmou que o orçamento total já gasto inclui também despesas de distribuição e marketing, a produtora, representada por Karina Gama, afirmou que esses custos adicionais não foram contabilizados até o momento, reforçando que, até agora, cerca de US$ 13 milhões foram investidos na fase de desenvolvimento, pré-produção, filmagem e pós-produção do filme, sem incluir os gastos com divulgação e distribuição, chamados pelos produtores de "P&A".
O filme foi totalmente rodado no Brasil, mas a maior parte dos recursos utilizados teve origem nos Estados Unidos. De acordo com o que foi divulgado, cerca de US$ 12,3 milhões teriam sido repassados por um banqueiro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em sete parcelas realizadas entre janeiro e setembro de 2025, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Essas operações estão sob investigação da Polícia Federal (PF), que busca entender se o dinheiro foi realmente destinado ao filme ou se teria sido desviado para outros propósitos, como a manutenção de Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, nos Estados Unidos. Ainda sobre os valores, um investidor ligado ao projeto afirmou que tais números estão sendo questionados publicamente após uma postagem do diretor Cyrus Nowrasteh, na rede social X, na qual ele afirmou que os valores de “Dark Horse” estavam “ridiculamente inflados”.
Na mesma rede social, no dia seguinte, o diretor tentou esclarecer a questão, dizendo que a comparação feita pela imprensa brasileira entre os custos do filme e produções de Hollywood não é justa, já que nos EUA os orçamentos não incluem gastos de marketing na divulgação pública. Segundo ele, a cifra de US$ 13 milhões citada pela imprensa já leva em conta esse item, e a comparação entre valores de produção com ou sem marketing é inválida. Apesar das declarações, a produtora Karina Gama reforçou que os gastos até agora não incluem os custos de distribuição, divulgação e marketing, que ainda precisarão ser pagos, e que toda essa soma foi destinada às etapas de desenvolvimento, pré-produção, filmagem e pós-produção do filme.
Por sua vez, o sócio de Karina Gama nos Estados Unidos, Michael Davis, declarou por e-mail que documentos societários, fiscais, bancários ou contratuais da empresa, armazenados nos EUA, não podem ser repassados às autoridades brasileiras sem o devido processo legal. Ele destacou que, conforme orientação dos advogados, tais documentos só podem ser compartilhados mediante solicitação formal dos mecanismos internacionais de cooperação jurídica. Essa posição aumenta a complexidade das investigações, que ainda aguardam novas confirmações e possíveis desdobramentos. Até o momento, nenhuma autoridade confirmou oficialmente que os recursos tenham sido desviados ou que o valor de U$ 12,3 milhões esteja ligado integralmente ao projeto, deixando no ar muitas dúvidas sobre os reais custos da produção e o destino final do dinheiro.
O que sabemos?
- Produtora e diretor de 'Dark Horse' apresentam versões diferentes sobre os gastos.
- Investigações da Polícia Federal apuram repasse de US$ 12,3 milhões de um banqueiro ao pedido do senador Flávio Bolsonaro.
- Valor de US$ 13 milhões foi mencionado como o total já gasto na produção do filme, sem incluir marketing.
- O filme foi filmado totalmente no Brasil, mas a maior parte do dinheiro foi gasta nos EUA.
- Diretor afirma que valores de 'Dark Horse' estão "ridiculamente inflados" e tenta justificar a comparação de custos.
Fontes
- G1 imprensa





